

O proprietário e presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, admitiu à Polícia Federal que tinha conhecimento de uma “cultura de omissão” no registro de falhas técnicas dentro da companhia. A declaração ocorreu durante depoimento relacionado à queda do voo 2283, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024.
Segundo o relatório da PF, diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também teriam alertado pessoalmente o empresário sobre a prática de pilotos que evitavam registrar problemas nos diários de bordo para impedir que aeronaves ficassem em solo.
“[Felício] admitiu ter ciência da cultura de omissão de reportes de panes, revelando inclusive que diretores da Anac o alertaram pessoalmente sobre esse padrão de conduta dos pilotos ao longo dos anos”, registrou o relatório da PF.
Felício Filho foi indiciado pela PF, junto com outros 15 profissionais, por atentado contra a segurança do transporte aéreo, agravado pela morte das 62 pessoas. Entre os demais indiciados estão diretores das áreas de operações, manutenção e segurança, além de mecânicos e despachantes operacionais.
Falha
Durante depoimento em 4 de agosto, o empresário também reconheceu que houve um erro grave no dia do acidente. A aeronave PS-VPB decolou com falhas conhecidas no sistema de degelo para uma região com previsão de formação de gelo severo.
“A aeronave não deveria estar naquela condição, mas também não deveria ter sido despachada para aquela rota.”
Segundo a PF, Felício Filho, que é piloto de formação, tinha conhecimento técnico sobre a vulnerabilidade do ATR-72 em condições de gelo e recebia formalmente notificações de irregularidades encaminhadas pela Anac.
O voo 2283 caiu em um condomínio de Vinhedo em 9 de agosto de 2024. As 62 pessoas que estavam a bordo morreram. As investigações apontaram perda de controle em voo relacionada ao acúmulo de gelo e à inoperância do sistema de degelo da aeronave.
Operações suspensas
Após o acidente, a Anac suspendeu as operações da Voepass em março de 2025. Em junho do mesmo ano, a agência cassou definitivamente os certificados de operador aéreo e de organização de manutenção da companhia.
Em nota, a Voepass afirmou que a segurança operacional sempre foi sua prioridade e que seguia os protocolos de segurança, manutenção e capacitação estabelecidos pela Anac. A empresa também declarou ter colaborado com as investigações e afirmou que aguardará os próximos desdobramentos processuais. (ATarde)
Foto: Divulgação/VoePass.



