

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira, 30, que foi firmado um acordo para o desarmamento do Hamas como parte de um plano para encerrar o conflito na Faixa de Gaza.
Até a publicação desta reportagem, porém, nem o grupo palestino nem o governo de Israel haviam confirmado oficialmente a existência do acordo.
Segundo Trump, o entendimento foi alcançado por meio do chamado Conselho da Paz, grupo criado por seu governo em conjunto com líderes de outros países para negociar uma solução definitiva para a guerra. O anúncio foi feito por meio da rede social Truth Social.
O que Trump anunciou
Na publicação, Trump afirmou que o desarmamento do Hamas abrirá caminho para a criação de um novo governo palestino, que atuaria em cooperação com o Conselho da Paz. Segundo ele, a mudança permitiria que Israel tivesse mais segurança, enquanto Gaza deixaria de servir como base para ataques do grupo.
O presidente americano também afirmou que a implementação ocorrerá em etapas. À medida que o Hamas entregar seu arsenal, as tropas israelenses deixariam gradualmente a Faixa de Gaza.
A segurança da região passaria a ser compartilhada entre uma força internacional de estabilização e uma nova polícia palestina. Trump ainda agradeceu ao Egito, ao Catar e à Turquia, que participaram das negociações como mediadores.
Israel ainda demonstra cautela
Apesar do anúncio, o acordo ainda gera dúvidas. Autoridades do governo dos Estados Unidos disseram à agência Reuters que representantes israelenses permanecem céticos quanto à possibilidade de o Hamas realmente entregar suas armas.
Até o início da noite desta quinta-feira, nem o governo israelense nem a liderança do Hamas haviam divulgado posicionamentos oficiais sobre o anúncio feito por Trump.
Desarmamento sempre foi um dos maiores impasses
A entrega das armas pelo Hamas é considerada um dos pontos mais delicados das negociações para encerrar definitivamente a guerra.
O grupo palestino já havia sinalizado disposição para discutir o tema, mas condicionava qualquer desarmamento à retirada completa das forças israelenses da Faixa de Gaza. Atualmente, mais da metade do território continua sob controle militar de Israel.
Em abril, integrantes do Hamas chegaram a indicar que poderiam entregar milhares de fuzis utilizados por sua força policial, desde que houvesse garantias concretas sobre o fim da ocupação israelense.
Caso o acordo anunciado por Trump seja confirmado nos termos apresentados, isso indicaria uma mudança importante na posição do grupo palestino.
Conflito permanece sem solução definitiva
Mesmo com o cessar-fogo em vigor desde outubro do ano passado, confrontos e bombardeios continuam sendo registrados na Faixa de Gaza. Centenas de palestinos morreram desde então, enquanto as negociações seguem marcadas por desconfiança entre as partes.
Outro fator que mantém a tensão elevada são as declarações de integrantes do governo israelense sobre a possibilidade de ampliar ou manter o controle militar sobre Gaza.
Em maio, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu chegou a anunciar a intenção de controlar cerca de 70% do território palestino, plano que não foi integralmente executado.
Por enquanto, o anúncio de Trump representa uma nova tentativa de destravar um dos principais impasses do conflito. A efetivação do acordo dependerá da confirmação pelas partes envolvidas e do cumprimento das etapas previstas para o desarmamento e a retirada das tropas israelenses.
Foto: Divulgação | White House