

O avanço dos medicamentos contra o HIV está transformando o perfil da epidemia no mundo. Uma comissão publicada pela revista científica The Lancet HIV projeta que, até 2040, mais da metade das pessoas que vivem com o vírus terá 50 anos ou mais.
Para especialistas, a mudança exigirá uma reorganização dos sistemas de saúde, que precisarão lidar cada vez mais com doenças relacionadas ao envelhecimento.
Número de idosos vivendo com HIV deve dobrar
A estimativa é de que 20,2 milhões de pessoas vivendo com HIV tenham mais de 50 anos em 2040, representando 51% da população mundial com o vírus. Desse total, 96% estarão em países de baixa e média renda.
Hoje, aproximadamente 11,5 milhões de pessoas nessa condição já ultrapassaram os 50 anos, o equivalente a 29% da população global vivendo com HIV.
Os pesquisadores destacam que a expectativa de vida aumentou graças ao acesso aos antirretrovirais, tornando o HIV uma condição crônica para milhões de pessoas.
Cuidado precisará ir além do controle do vírus
Segundo a comissão, a manutenção da carga viral indetectável continuará sendo um objetivo importante, mas deixará de ser o único foco da assistência.
A recomendação é que o acompanhamento inclua o monitoramento de doenças cardiovasculares, alterações renais, diabetes, osteoporose, câncer, problemas cognitivos e transtornos de saúde mental, condições que tendem a se tornar mais frequentes com o avanço da idade.
Os autores também chamam atenção para a necessidade de preservar a autonomia e a capacidade funcional dos pacientes durante o envelhecimento.
Diagnóstico após os 50 anos tende a aumentar
Outro ponto destacado pelo estudo é o crescimento esperado dos novos diagnósticos entre pessoas acima dos 50 anos. Nessa faixa etária, a infecção costuma ser descoberta em estágios mais avançados, o que pode retardar o início do tratamento.
Por esse motivo, os pesquisadores defendem que campanhas de prevenção e testagem também sejam direcionadas à população mais velha.
Tratamentos precisarão ser mais individualizados
O relatório ainda alerta para o aumento da polifarmácia, situação em que um mesmo paciente utiliza vários medicamentos simultaneamente, elevando o risco de interações e efeitos adversos.
Para os especialistas, as decisões clínicas devem considerar aspectos como mobilidade, cognição, presença de outras doenças, expectativa de vida e prioridades de cada pessoa, em vez de se basearem apenas na idade.
A comissão conclui que a resposta global ao HIV entra em uma nova fase. O objetivo deixa de ser apenas ampliar a sobrevida e passa a incluir um envelhecimento com saúde, independência e qualidade de vida.(A Tarde)
Foto: Arquivo | Agência Brasil