

As vendas de bares e restaurantes cresceram 3,4% em abril na comparação com março, segundo o Índice Abrasel-Stone. Em relação ao mesmo mês de 2025, a alta foi de 8,2%, marcando o sétimo mês seguido de crescimento ou estabilidade no setor. No balanço anual, o faturamento do setor também registrou crescimento, fechando em R$ 495 bilhões no último ano, de acordo com a Abrasel.
O avanço dos indicadores econômicos coincide com um período de transformações estruturais nos estabelecimentos comerciais, que passam a incorporar soluções de inteligência artificial operacional e automação de processos. Para responder a esse cenário de expansão e aos desafios de custos de produção, Nelson Millner, sócio-fundador da Altec (https://www.altecsistemas.com.br/), foodtech brasileira especializada em software de gestão para bares e restaurantes, mapeou seis principais tendências tecnológicas que passam a guiar a gestão no segmento de food service. Confira.
Inteligência artificial operacional e cozinhas inteligentes
Equipamentos de retaguarda estão mais conectados e capazes de registrar automaticamente informações como reconhecimento de produtos, tempo de preparo, temperatura e umidade. Esses dados passam a ser utilizados por sistemas de inteligência artificial para otimizar processos, reduzir desperdícios e apoiar decisões operacionais. “As cozinhas estão mais inteligentes, os equipamentos são menores e mais eficientes. Com a ajuda da IA, eles auxiliam nas tomadas de decisão para menor tempo de preparo, melhor organização e redução de desperdícios”, destaca Millner.
Robótica aplicada ao atendimento e preparo
Robôs já começam a assumir atividades operacionais em restaurantes, desde o atendimento até etapas do preparo de alimentos. Embora ainda estejam mais presentes em operações de grande porte, essas soluções avançam como alternativa para aumentar a produtividade e reduzir gargalos operacionais. “A ideia não é substituir as pessoas, mas sim assumir as tarefas mais operacionais e repetitivas. Em um cenário de dificuldade de contratação e retenção de mão de obra qualificada, os robôs surgem como uma resposta para aumento da produtividade, eficiência e redução de custos”, avalia o executivo.
Otimização da força de trabalho com tecnologia
Ferramentas digitais voltadas à gestão de equipes ganham espaço no setor. As soluções incluem previsão de demanda, monitoramento de custos de mão de obra, apoio à elaboração de escalas e cálculo da necessidade ideal de funcionários. “Os equipamentos KDS, que substituem a comanda em papel, estão cada vez mais mais inteligentes, com visual mais claro e mais intuitivo. Eles ajudam na priorização, nos agrupamentos de pedidos e na organização das filas. Com os dados analisados, a cozinha comete menos erros e tem menos retrabalho, operando com mais rapidez e de forma mais enxuta”, explica.
Análise de dados dinâmica e preditiva
A integração de dados operacionais com informações externas, como sazonalidade, clima e campanhas promocionais, amplia a capacidade de planejamento dos estabelecimentos e fortalece a previsibilidade dos resultados. “A análise de dados tornou-se extremamente dinâmica, com a ajuda da IA mostrando desempenho, tempos, produtividade, custos e margens. Isso gera uma previsibilidade real e uma base sólida para o planejamento estratégico do estabelecimento”, pontua Millner.
Autoatendimento e pagamentos sem atrito
Totens, aplicativos e plataformas móveis consolidam-se como parte da jornada do consumidor. Além de reduzir filas e aumentar a velocidade do atendimento, essas ferramentas passam a incorporar recursos de inteligência artificial para recomendações de compra e aumento do ticket médio. Na área financeira, ganha força o conceito de pagamento sem atrito, totalmente integrado aos sistemas de gestão. “As soluções de autoatendimento mostraram que isso não é apenas um diferencial, mas sim uma obrigatoriedade em diversos restaurantes, já que o consumidor tem ficado cada vez mais confortável em fazer pedidos sem interação humana”, afirma.
Evolução de interfaces
Os sistemas de frente de caixa e dispositivos móveis evoluem para interfaces mais intuitivas, com menos etapas operacionais e menor necessidade de treinamento. O objetivo é reduzir erros, acelerar o atendimento e simplificar a rotina das equipes. “É possível notar uma evolução clara nas interfaces e nas jornadas do usuário nas últimas tendências do setor. As soluções buscam telas mais limpas, com fluxos mais rápidos e menos cliques, gerando menos erros e menor necessidade de treinamento”, conclui o sócio-fundador da Altec.