

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) revelou que uma aeronave da Voepass entrou em condição de stall cerca de oito meses antes da queda do voo 2283, em Vinhedo (SP), acidente que deixou 62 pessoas mortas. O episódio anterior, no entanto, não foi comunicado às autoridades competentes, como determinam os protocolos de segurança da aviação.
Segundo a investigação, os pilotos conseguiram recuperar o controle da aeronave e concluir o voo com segurança. Mesmo assim, o caso não foi informado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nem ao próprio Cenipa, impedindo que o evento fosse analisado e contribuísse para a adoção de medidas preventivas.
De acordo com o relatório, o Cenipa tomou conhecimento do incidente apenas durante a apuração do acidente ocorrido em Vinhedo. Após identificar a ocorrência, o órgão questionou a Voepass sobre a ausência da notificação obrigatória.
A investigação concluiu que o episódio registrado meses antes apresentava características semelhantes às verificadas no voo 2283. Para os investigadores, caso o incidente tivesse sido comunicado oficialmente, poderia ter servido de base para ações preventivas capazes de reduzir riscos em operações futuras.
Além da falta de comunicação do incidente, o relatório aponta uma série de problemas operacionais na companhia aérea.
Entre eles está a realização de serviços de manutenção por mecânicos sem a supervisão prevista nos procedimentos internos da empresa. O documento também afirma que, diante das condições meteorológicas previstas para o horário da decolagem, a aeronave não deveria ter sido liberada para o voo, já que havia previsão de formação de gelo e chuva, fatores que exigiam uma avaliação operacional mais rigorosa.
Outro ponto destacado pelo Cenipa é a repetição de procedimentos considerados inadequados em operações anteriores da Voepass.
Segundo o órgão, a recorrência dessas falhas indica a existência de fragilidades na cultura organizacional da empresa, permitindo que desvios operacionais fossem repetidos sem a adoção de medidas corretivas eficazes.
Na avaliação dos investigadores, o acidente com o voo 2283 deve ser analisado não apenas pelos acontecimentos registrados no dia da tragédia, mas também pelo histórico de ocorrências anteriores, que evidenciavam problemas na gestão operacional e nos processos internos da companhia aérea.
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