

O valor das transações do Pix aumentou R$ 4,3 trilhões no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Um crescimento de 28%. O número de transações também teve alta de 19,3% no semestre, passando de um total de 36,8 bilhões para 43,9 bilhões. Os dados são do Banco Central e estão disponíveis no painel do Pix.
O volume é maior que o PIB (a soma de todos os bens e serviços produzidos no país) registrado no primeiro trimestre deste ano, de R$ 3,3 trilhões, segundo o IBGE.
O maior número de transações deste ano foi registrado em maio, com 7,8 bilhões, e o maior volume mensal foi em junho, com R$ 3,59 trilhões.
O volume do primeiro semestre
O avanço coincide com o momento em que o meio de pagamento é criticado pelo governo dos Estados Unidos e citado como um dos motivos para a cobrança de tarifa de produtos brasileiros.
“Os números demonstram que o Pix atingiu um estágio de maturidade no sistema financeiro brasileiro”, afirma o economista e professor Hugo Garbe.
O crescimento indica que não apenas mais operações estão sendo realizadas, mas também que valores mais elevados estão migrando para esse meio de pagamento, de acordo com o economista.
“Esse movimento reflete a crescente confiança de consumidores e empresas na ferramenta, que passou a ser utilizada não apenas para pequenas transferências, mas também para pagamentos de maior valor, liquidação entre empresas e transações comerciais de forma geral”, acrescenta Garbe.
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) também segue a mesma linha de avaliação. “Os números demonstram a plena consolidação e maturidade do Pix como o meio de pagamento mais popular e dinâmico do país”, afirma em nota.
Segundo a entidade, o avanço reflete a confiança da população na ferramenta e a evolução do ecossistema financeiro.
Eficiência econômica
Outro fator citado por Hugo Garbe é o ganho de eficiência econômica. “O Pix reduz custos operacionais, aumenta a velocidade de circulação dos recursos e diminui a dependência de meios de pagamento mais caros, como TED, boletos e cartões em determinadas operações. Isso contribui para maior liquidez na economia e melhora a gestão de caixa das empresas”, avalia.
A tendência é que esse crescimento continue, impulsionado pela expansão de funcionalidades, como o Pix Automático, e pela incorporação do sistema a novos modelos de negócio e serviços financeiros.
“O Brasil consolidou um dos sistemas de pagamentos instantâneos mais bem-sucedidos do mundo, e os dados do primeiro semestre reforçam essa trajetória”, conclui.
O que sustenta a expansão do Pix
Segundo a Febraban:
Gratuidade e inclusão financeira: A isenção de tarifas para pessoas físicas estimulou a bancarização e democratizou o acesso a serviços financeiros essenciais.
Segurança e infraestrutura operacional: A estabilidade e a capacidade de absorver o aumento de volume são respaldadas por investimentos massivos e contínuos dos bancos em tecnologia, prevenção a fraudes e capacidade de processamento diário.
Padronização regulatória: A regulamentação unificada estabelecida pelo Banco Central assegurou segurança jurídica, interoperabilidade e regras idênticas para todas as instituições, garantindo a mesma experiência ao usuário em qualquer aplicativo.
Eficiência e praticidade: O uso das chaves Pix simplificou o processo de transferência ao eliminar o preenchimento de formulários e dados cadastrais, acelerando transações cotidianas e expandindo a aceitação do meio de pagamento no comércio físico e eletrônico.
Fonte: Febraban
Novidades do Pix
Uso em contas-salário
O uso de contas-salário em operações do Pix Automático será regulamentado pelo BC. Atualmente, apenas contas correntes e de pagamentos podem iniciar operações de Pix Automático.
A medida vai permitir que trabalhadores que recebem por esse tipo de conta possam usar o Pix Automático para pagamentos recorrentes, como conta de luz e telefone, mensalidades escolares, planos de saúde e assinaturas de serviços.
Cobrança híbrida
Está em debate também a cobrança híbrida, que é a junção, em um único documento, do boleto bancário com o QR Code disponibilizado pelo Pix.
Ele permitirá o pagamento de determinada conta tanto pelo código de barras quanto pelo QR Code. Essa solução já está sendo oferecida pelo mercado. O BC irá apenas estabelecer regras para minimizar o risco de pagamentos em duplicidade e melhorar a comunicação que o participante deve ter com o seu cliente em caso de insucesso no pagamento.
Aperfeiçoamento do botão de contestação
Aperfeiçoamentos no “botão de contestação”, que aciona o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, também estão em discussão.
O objetivo é permitir a coleta de mais informações pelas instituições no momento do acionamento do botão para que elas tenham condições de identificar pedidos que não estão no escopo do MED, como desacordos comerciais, e facilitar a identificação de usuários que acionam o botão para cometer golpes.
Fonte: Banco Central
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