

A Fundação Perseu Abramo, por meio do seu Centro de Documentação e Memória Política Sérgio Buarque de Holanda, sob coordenação da diretora Elen Coutinho, promoveu na noite desta terça-feira (21) uma aula pública em homenagem à socióloga e ex-ministra Luiza Bairros, no Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO) da UFBA. O encontro, realizado em parceria com as secretarias de Mulheres e de Combate ao Racismo do PT da Bahia, celebrou os dez anos da morte de Luiza e reafirmou a atualidade do seu pensamento para a luta antirracista e para a construção de políticas de igualdade racial no Brasil.
“Em julho completou dez anos que Luiza Bairros partiu. Ficamos sem a presença física dela, mas seu legado tem tanta força. A memória da militância de Luiza, da sua produção intelectual, da sua atuação como gestora da política pública de igualdade racial, é muito forte”, afirmou Elen Coutinho. “Celebrar aqui a memória de Luiza Bairros, sua vida, sua obra e sua dedicação na construção de um Brasil sem racismo e mais democrático para todas as pessoas, é muito importante”, completou.
Referência do feminismo negro brasileiro, a socióloga e ativista Vilma Reis dimensionou a importância histórica da homenageada. “Nos últimos 45 anos, nada aconteceu de potente, de transformador na vida do povo negro e da sociedade brasileira, sem a presença, sem o pensamento, sem a inteligência de Luiza Bairros”, declarou. Vilma lembrou que, como ministra, Luiza foi decisiva para a conquista das cotas raciais nas universidades e no serviço público, e destacou o pioneirismo dela ao articular o projeto Raça e Democracia nas Américas, que formou gerações de gestores negros. “Luiza nos conduziu e orientou a nossa ação política. Que falta faz Luiza numa análise de conjuntura.”
Para o secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, a homenagem também renova compromissos. “Homenagear Luiza Bairros é o reconhecimento de uma trajetória de uma mulher negra que colocou a sua vida a serviço da luta contra o racismo, mas é também atualizar os compromissos do Partido dos Trabalhadores e da Fundação Perseu Abramo com as causas da justiça e da igualdade. A trajetória de Luiza nos ilumina sobre o sentido da palavra dignidade. Ela criou um mundo que nos coubesse”, afirmou.
Autora do livro “Luiza Bairros: pensamento e compromisso político” e parceira da homenageada por mais de três décadas, a socióloga Vanda Sá Barreto, cofundadora do CEAFRO/UFBA, resumiu o sentimento do encontro. “Hoje é um dia de tristeza e de alegria. Precisamos de pessoas que pensem este país pensando na população negra, que é a maioria. Todas nós fomos formadas por ela. Luiza será sempre bem lembrada.”
A mesa contou ainda com a participação da escritora e historiadora Martha Rosa Queiroz, professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, que apresentou o processo de construção da exposição “Luiza Bairros, Lente e Voz”, e com a presença de familiares da homenageada. O presidente do PT da Bahia, Tássio Brito, também prestigiou o ato.
Gaúcha de nascimento e baiana por adoção, Luiza Helena de Bairros foi uma das principais lideranças do Movimento Negro Unificado e do movimento de mulheres negras no Brasil. Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial entre 2011 e 2014, criou o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial e atuou de forma decisiva na implementação das cotas raciais. Faleceu em 2016, aos 63 anos, em Porto Alegre.
crédito da foto: Bruce Santos



