terça, 21 de julho de 2026
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ANVISA APROVA NOVO TRATAMENTO PARA TIPO DE INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

João - 21/07/2026 07:40 - Atualizado 21/07/2026

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação terapêutica para a finerenona, medicamento da Bayer, ampliando seu uso para pacientes com um tipo específico de insuficiência cardíaca. A decisão representa um avanço no tratamento de uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e que, até então, contava com opções limitadas de terapia.

A nova autorização contempla pacientes com insuficiência cardíaca e fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) igual ou superior a 40%, quadro conhecido por comprometer a capacidade do coração de relaxar e se encher adequadamente de sangue antes de cada batimento.

Como consequência, o organismo passa a receber menos oxigênio, favorecendo sintomas como falta de ar, fadiga e inchaço. A aprovação foi baseada nos resultados do estudo internacional de fase III FINEARTS-HF, que demonstrou benefícios clínicos relevantes para esse grupo de pacientes.

Estudo aponta redução de mortes e internações

Segundo os dados apresentados no estudo, pacientes tratados com finerenona tiveram uma redução de 16% no risco relativo de morte por causas cardiovasculares e de episódios de agravamento da insuficiência cardíaca, como hospitalizações ou atendimentos de urgência.

Os pesquisadores também observaram outro resultado considerado importante: os participantes que utilizaram o medicamento apresentaram 24% menos risco de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação com aqueles que receberam placebo.

Esses achados reforçam o potencial da medicação não apenas para controlar a evolução da insuficiência cardíaca, mas também para reduzir complicações metabólicas frequentemente associadas à doença.

Como a finerenona atua

A finerenona pertence à classe dos antagonistas do receptor mineralocorticoide. O medicamento age bloqueando os efeitos da aldosterona, hormônio que, quando produzido em excesso, favorece inflamação, fibrose e rigidez tanto no músculo cardíaco quanto nos rins. Ao reduzir esses efeitos, a medicação contribui para preservar a função do coração e diminuir a progressão da insuficiência cardíaca.

Doença representa desafio para a saúde pública

A insuficiência cardíaca é considerada uma das principais causas de internação no Brasil e no mundo. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que aproximadamente 64 milhões de pessoas convivem com a doença.

No Brasil, ela figura entre as principais causas de hospitalização pelo Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente entre idosos.

Cerca de metade dos pacientes apresenta justamente a forma da doença com fração de ejeção preservada ou levemente reduzida (FEVE ≥ 40%), perfil que historicamente dispõe de menos alternativas terapêuticas quando comparado aos casos de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.

Especialista destaca avanço no tratamento

Segundo o cardiologista Pedro Schwartzmann, especialista em insuficiência cardíaca avançada, a aprovação representa um marco para pacientes que convivem com essa forma da doença. De acordo com o médico, esse grupo apresenta elevado risco de complicações graves e, até recentemente, havia poucas terapias com benefícios comprovados em estudos clínicos robustos.

Ele destaca que a possibilidade de reduzir hospitalizações, mortes cardiovasculares e ainda diminuir o risco de diabetes tipo 2 amplia as perspectivas de tratamento e pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Medicamento já era utilizado para doença renal

Antes da nova aprovação, a finerenona já possuía autorização da Anvisa para o tratamento de doença renal crônica associada ao diabetes tipo 2 em pacientes adultos. A indicação também está aprovada em mais de 90 países.

A ampliação da bula acompanha um cenário em que doenças cardiovasculares e renais frequentemente coexistem. Estudos apontam que entre 35% e 70% das pessoas com insuficiência cardíaca também apresentam doença renal crônica, tornando importante o desenvolvimento de terapias capazes de atuar em diferentes sistemas do organismo.

Com a nova indicação, a expectativa é ampliar as opções disponíveis para um grupo de pacientes que ainda enfrenta elevada taxa de hospitalizações e mortalidade.

 

 

Foto: Ilustrativa | Magnific

 

 

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