

O Brasil assinou esta semana um acordo para criar o mercado aéreo único na América do Sul. Brasil, Argentina, Paraguai e Chile assinaram um memorando de entendimento para que seja possível, em até 12 meses, abrir o espaço aéreo às companhias desses países.
O modelo é inspirado no mercado único da União Europeia e abre caminho para que empresas estrangeiras possam operar voos domésticos no Brasil e que empresas brasileiras façam o mesmo nos países vizinhos, mediante reciprocidade. O objetivo é ampliar a concorrência, aumentar a oferta de voos e reduzir o preço das passagens.
Para a Bahia, essa pode ser uma oportunidade histórica, pois pode resolver alguns gargalos do turismo baiano, a exemplo do custo elevado das passagens e da limitada oferta de voos.
A Bahia já é um destino consolidado para argentinos e cerca de 100 mil deles aportaram aqui em 2025, mas também para uruguaios, chilenos e outros. Com voos mais numerosos e tarifas mais competitivas, esse mercado poderá crescer significativamente. E o potencial vai além. Salvador pode transformar-se em um centro de distribuição de voos para o Nordeste, recebendo passageiros de diversos países da América do Sul e conectando-os aos demais destinos turísticos baianos e nordestinos.
Os benefícios são óbvios, a começar pelo fim da dependência das três grandes empresas que controlam o setor. E, vale lembrar: não existem mais companhias aéreas brasileiras. A Latam tem controle chileno; a Gol é controlada pela Avianca, com investidores internacionais e colombianos; e a Azul tem controle norte-americano.
O acordo é bom, pois permite viabilizar a operação de voos de baixo custo (low cost) e contribui para a redução da sazonalidade diminuindo a dependência das férias de verão e do Carnaval e gerando maior estabilidade para empresas e trabalhadores do setor.
Para que esse potencial se transforme em resultados concretos, governo do Estado e prefeituras precisam agir imediatamente. Em primeiro lugar, estimulando a implantação o mais rápido possível do acordo, que pode incluir outros países da América do Sul, mas ainda depende da harmonização regulatória entre eles e de eventuais mudanças na legislação nacional. E, ao mesmo tempo, é preciso negociar, em parceria com as companhias aéreas e as concessionárias dos aeroportos, novas rotas internacionais para Salvador e Porto Seguro e, no futuro, para outros destinos turísticos do estado. Não basta esperar que as empresas descubram sozinhas o potencial baiano, é preciso disputar esses investimentos.
Também será fundamental fortalecer a promoção da Bahia nos mercados do Cone Sul. Argentinos, chilenos, uruguaios e paraguaios já conhecem o estado, mas há espaço para ampliar significativamente esse fluxo. Campanhas permanentes de divulgação, participação em feiras internacionais e ações conjuntas com operadoras de turismo podem consolidar a Bahia como um dos principais destinos da América do Sul.
Salvador e Porto Seguro já tem alguma infraestrutura aeroportuária e turística, mas é preciso ampliá-la. O crescimento do número de visitantes exige aeroportos eficientes, boas rodovias de acesso, sinalização adequada, segurança, qualificação profissional e serviços públicos compatíveis com um destino internacional. No caso de Porto Seguro, embora a nova concessionária e o governo tenham realizado melhorias na pista, na segurança operacional e no terminal de passageiros, ele não dá conta do fluxo turístico na região. É fundamental avançar e construir o novo Aeroporto Internacional Costa do Descobrimento.
Já o Aeroporto Internacional de Salvador tem melhores condições, mas a concessionária, ao invés de estar preocupada em ganhar alguns tostões com o famigerado e inadequado sistema Kiss & Fly, deveria estar mais preocupada em melhorar sua infraestrutura de serviços e atrair mais voos.
A política de céus abertos deveria ser estendida para outros países, inclusive os Estados Unidos e países da Europa, sempre através de acordos que preservem os interesses de cada parte, mas estimulando a competitividade e o fim da reserva de mercado.
TURISMO ESTUDANTIL
Porto Seguro, segundo maior polo turístico da Bahia, tornou-se um point do turismo estudantil. A cidade espera receber 340 mil turistas em julho, um crescimento de 11,% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Secretaria Municipal de Turismo. Porto Seguro é um dos destinos mais procurados do Brasil durante as férias escolares, período de alta temporada. Vários fatores contribuíram para isso, como o valor histórico, a boa infraestrutura turística, o astral da cidade, que encanta os jovens, e, principalmente, pacotes acessíveis e integração com operadoras de turismo especializadas. É um nicho de mercado e Salvador deveria olhar para ele.