terça, 14 de julho de 2026
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SEMIÁRIDO BRASILEIRO ATRAI BILHÕES EM INVESTIMENTOS E SE CONSOLIDA COMO POLO DA ECONOMIA VERDE

Bruna Carvalho - 14/07/2026 11:36

O semiárido nordestino tem se consolidado como uma das principais fronteiras da economia verde no Brasil, impulsionado por investimentos bilionários em energias renováveis, biocombustíveis e fibras naturais. Projetos liderados por empresas como Shell Brasil, Acelen Renováveis e Casa dos Ventos, aliados a iniciativas de pesquisa e inovação, estão transformando a região em um polo estratégico para a transição energética e o desenvolvimento sustentável.

Entre os destaques está o programa Brazilian Agave Development (BRAVE), desenvolvido pela Shell Brasil em parceria com a Unicamp e o Senai Cimatec. A iniciativa pesquisa o potencial do agave, planta resistente ao clima semiárido, para a produção de etanol de segunda geração (E2G) e biogás em escala comercial.

Na Bahia, a Acelen Renováveis também investe na implantação de um polo de combustíveis sustentáveis. O projeto prevê aportes superiores a US$ 3 bilhões para o cultivo de macaúba, matéria-prima destinada à produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel Verde (HVO), além da recuperação de cerca de 180 mil hectares de áreas degradadas.

Já a Casa dos Ventos amplia sua atuação com projetos híbridos de geração eólica e solar no semiárido e desenvolve iniciativas voltadas à produção de hidrogênio e amônia verdes, com foco no abastecimento industrial e na exportação de energia limpa.

Movimento fortalece cadeia das fibras naturais

Os investimentos acompanham o lançamento do Movimento Fibras Naturais Brasileiras, criado em 2026 pela Câmara Setorial de Fibras Naturais do Ministério da Agricultura e Pecuária (CSFN/MAPA). A iniciativa reúne representantes das cadeias produtivas do sisal, bambu, coco, cânhamo, juta, malva, piaçava e seda para ampliar a competitividade do setor e aproveitar oportunidades ligadas ao mercado de carbono e aos Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA).

Segundo o presidente da CSFN/MAPA, Wilson Andrade, o objetivo é modernizar a produção e ampliar a participação das fibras naturais em um mercado global que deve crescer nos próximos anos.

“Estamos fazendo um inédito, amplo e ambicioso programa de recuperação das nossas fibras naturais, buscando mais produtividade e competitividade. Com isso, várias fibras naturais que perderam mercado para as sintéticas podem aproveitar a tendência de crescimento prevista para a próxima década”, afirmou.

Tecnologia impulsiona nova fase do sisal
Maior produtor mundial de sisal, o Brasil também investe na modernização da cadeia produtiva da fibra, responsável pela geração de renda para cerca de 800 mil pessoas no semiárido.

Projetos conduzidos pela Embrapa, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri) e universidades públicas buscam automatizar o processo de desfibramento, combater pragas, ampliar a produtividade e aproveitar integralmente a planta, da qual atualmente apenas 4% são utilizados pela indústria tradicional.

Entre as iniciativas estão a implantação de uma usina-piloto de desfibramento automatizado em Conceição do Coité, o uso de drones, sensores e inteligência artificial para monitoramento das lavouras e pesquisas para desenvolvimento de fitoterápicos, bio-óleo e materiais compósitos destinados à indústria.

Exportações crescem mais de 20%
A modernização da cadeia já reflete nos indicadores do setor. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que a produção nacional de sisal cresceu 21,5% entre 2024 e 2025, passando de 93 mil para 113 mil toneladas.

As exportações também avançaram 21% no período, saltando de 53 mil para 64 mil toneladas. O faturamento alcançou US$ 86,4 milhões, alta de 27,5% em relação ao ano anterior. China e Estados Unidos concentram a maior parte das compras da fibra brasileira.

Para Wilson Andrade, o desempenho reforça o potencial do país para liderar o mercado global de fibras naturais.

“Em um momento em que o planeta busca alternativas sustentáveis aos materiais sintéticos e derivados do petróleo, as fibras vegetais voltam ao centro das estratégias industriais, ambientais e sociais”, afirmou.

Além dos ganhos econômicos, especialistas destacam que culturas como o sisal, o agave e a macaúba contribuem para a captura de carbono, recuperação de áreas degradadas e geração de renda em regiões historicamente marcadas pela escassez hídrica, consolidando o semiárido como protagonista da economia de baixo carbono.

Foto: Divulgação ABAF

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