

A mais recente pesquisa AtlasIntel/Bloomberg trouxe um dado que merece atenção. O crescimento do pré-candidato a presidente Renan Santos, fundador do MBL e presidente do partido Missão, foi o maior entre os candidatos testados pelo instituto. Em poucos meses, ele saltou de um desempenho residual para 7,8% das intenções de voto, tornando-se o terceiro colocado em alguns cenários e superando políticos experientes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema. O próprio instituto atribui esse avanço à sua forte presença no ambiente digital e ao desempenho entre os jovens e os eleitores insatisfeitos com a polarização política.
Tudo indica que ele será o outsider que aparece em todas as eleições brasileiras, especialmente quando há uma completa descrença nos políticos, exatamente como neste momento.
Hoje, a fadiga provocada pela polarização entre Lula e o bolsonarismo cria um ambiente particularmente favorável para esse tipo de candidatura. Há um contingente significativo de brasileiros que não desejam votar nem no presidente Lula nem em Flávio Bolsonaro. Esse vazio político abre espaço para o surgimento de nomes que se apresentam como “novidades”, prometendo romper com tudo o que existe. E o brasileiro adora embarcar nessas novidades que se vendem como representantes da antipolítica e conquistam enorme apoio popular.
O problema é que ao eleger esses personagens apenas por ser contra a “ tudo o que está aí”, o eleitor não analisa a trajetória do candidato, nem experiência e capacidade administrativa, e termina seduzido por figuras cuja única proposta é a negação da política tradicional. Ao eleger políticos assim, o eleitor está contratando uma crise futura e retrocedendo nos avanços conquistados.
Foi assim, votando contra “tudo o que está aí”, que o brasileiro elegeu Jânio Quadros, que prometeu varrer a corrupção e renunciou poucos meses depois, mergulhando o país numa grave crise institucional. Foi assim, votando contra “tudo o que está aí”, que o brasileiro elegeu o “caçador de marajás”, Fernando Collor, que empurrou o país para uma crise sem precedentes e terminou afastado por impeachment.
Mais recentemente, embora em âmbito municipal, outro outsider, Pablo Marçal, demonstrou em São Paulo como o domínio das redes sociais pode impulsionar rapidamente um candidato sem trajetória administrativa consolidada, alterando profundamente a dinâmica eleitoral.
E nesse momento está acontecendo nas redes sociais um fenômeno semelhante a Pablo Marçal. Trata-se de Renan Santos, que tornou-se conhecido como um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), organização criada durante as manifestações contra o governo Dilma Rousseff.
Diferente de Ronaldo Caiado ou Romeu Zema, que também pleiteiam ser a terceira via eleitoral, Renan Santos não tem qualquer experiência em cargos eletivos ou na administração pública, mas tem um discurso forte contra tudo e contra todos e promete ser conservador ao extremo na área de costumes e liberal ao extremo na área da economia.
Santos afirma que o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) é um “criminoso”, envolvido em escândalos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar. Afirma que Lula é um corrupto velho que expandiu os gastos públicos e sua metralhadora giratória vai por aí. De concreto diz apenas que vai implantar um projeto igual ao de Javier Milei na Argentina e que vai ser o “Bukele brasileiro”.
Suas propostas são as de uma direita mais extrema que o bolsonarismo e não diz nunca como vai implementá-las. Mas faz brilhar os olhos da extrema direita, dos jovens e velhos desiludidos com a política e de Donald Trump.
É um candidato que domina as redes sociais, está visitando os lugares mais distantes ao Norte e ao Sul do país e parece querer repetir o famigerado fenômeno do “mito”, que elegeu Jair Bolsonaro.
A pesquisa AtlasIntel talvez esteja registrando o nascimento de mais um fenômeno eleitoral. Se isso vai se confirmar nas urnas, ainda é cedo para afirmar, mas os políticos brasileiros, à esquerda e à direita, não estão dando a devida importância ao fenômeno. E o eleitor corre o risco de embarcar em outra canoa furada e fazer o país retroceder de novo. (EP – 13/06/2026)
Foto: Reprodução.