

O Brasil chega a 2026 consolidando um ciclo de crescimento histórico no turismo internacional, com impactos diretos no setor de alimentação fora do lar. Depois de alcançar o recorde de 6,6 milhões visitantes estrangeiros em 2024, segundo o Ministério do Turismo, e ultrapassar a marca de 9 milhões em 2025, o país mantém este fluxo em patamar elevado, impulsionado por ações de promoção internacional e maior competitividade no contexto global.
A Embratur divulgou que, nos cinco primeiros meses deste ano, o Brasil alcançou o segundo melhor resultado da série histórica para o período, com destaque para o desempenho recorde para o mês de maio, com quase meio milhão de visitantes. Foram recebidos mais de 4,8 milhões turistas internacionais de janeiro a maio, sendo a Argentina a principal origem, seguida pelos Estados Unidos, Paraguai e França.
O cenário é reflexo do reposicionamento da imagem do país no exterior, com estratégias orientadas por inteligência de mercado e foco em experiências autênticas, movimento que vem ampliando o interesse de viajantes internacionais.
Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina foram, respectivamente, os estados mais visitados. A região nordeste aparece em seguida, com destaque para a Bahia, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Além do volume de visitantes, o impacto econômico se mantém relevante. Em 2025, turistas internacionais injetaram US$ 6,6 bilhões na economia brasileira entre janeiro e outubro, conforme apurado pela Embratur. Neste ano, apenas os cinco primeiros meses já acumulam R$ 25 bilhões movimentados por este público.
Gastronomia no centro da experiência turística
O crescimento do turismo internacional vem acompanhado de uma mudança no perfil do visitante. Mais do que paisagens e pontos turísticos tradicionais, o viajante estrangeiro busca experiências autênticas, e a gastronomia brasileira se destaca como um dos principais atrativos.
Ainda segundo a Embratur, a comida está entre os aspectos mais bem avaliados pelos turistas que visitam o Brasil, além de figurar como fator decisivo na escolha de destinos. Essa tendência fortalece o protagonismo dos bares e restaurantes, que deixam de ser coadjuvantes e passam a integrar o produto turístico de forma central.
Impacto direto no desempenho do setor
Na prática, isso se traduz em maior demanda por pratos típicos, ingredientes regionais, experiências culinárias e roteiros gastronômicos. Para o setor, o movimento representa uma oportunidade de diferenciação e aumento de valor agregado.
A relação entre turismo internacional e alimentação fora do lar é direta: mais turistas significam mais clientes circulando, maior consumo e aumento do faturamento. Esse impacto é ainda mais relevante em cidades com forte vocação turística, onde bares e restaurantes se tornam pontos obrigatórios da experiência do visitante.
Além do aumento no movimento, o fluxo internacional também impulsiona transformações no setor. Entre elas, destacam-se a qualificação da mão de obra, com ampliação da demanda por profissionais que falem outros idiomas; a adaptação de cardápios e serviços para atender diferentes perfis culturais; tendência de investimento em identidade gastronômica local, fortalecendo a conexão com o destino; e o fortalecimento de parcerias com operadores de turismo e experiências, ampliando canais de atração de clientes.
Para José Eduardo Camargo, líder de Conteúdo da Abrasel, o momento reforça uma mudança estrutural na forma como o setor se posiciona neste cenário: “o crescimento do turismo internacional não traz apenas mais clientes, mas um consumidor mais exigente e interessado na cultura local. Isso impulsiona os bares e restaurantes a elevarem seu padrão de qualidade e a explorarem a gastronomia como diferencial competitivo, conectando o negócio à identidade do destino”.
Oportunidades para 2026
Com o Brasil consolidado como destino em alta, e a promoção internacional do país cada vez mais orientada por dados e segmentação de mercado, a expectativa para 2026 é de continuidade no crescimento do turismo internacional e, consequentemente, no fortalecimento do setor de bares e restaurantes.
A tendência é que o turista estrangeiro siga valorizando experiências completas, nas quais a gastronomia ocupa papel central. Os estabelecimentos que investirem em qualidade, autenticidade e preparo para atender públicos diversos ampliam as chances de se destacar. Para os empreendedores, o momento abre espaço para crescimento sustentado, maior competitividade e fortalecimento de marca.
Foto: Tânia Rêgo