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CARDIOTÓRAX SUSPENDE ATENDIMENTO PELO PLANSERV

João - 02/07/2026 05:00 - Atualizado 02/07/2026

A Cardiotórax — Cooperativa de Cirurgiões Cardiovasculares e Torácicos do Estado da Bahia — suspende, a partir desta quinta-feira (2), o contrato de prestação de serviços firmado com o Planserv. A decisão, segundo a cooperativa, foi tomada após tentativas de negociação que não avançaram e diante da ausência de resposta formal da assistência à saúde dos servidores públicos estaduais aos pleitos apresentados pela entidade. A medida afeta atendimentos e cirurgias eletivas realizadas por cirurgiões cardiovasculares e torácicos cooperados, especialidades de alta complexidade e frequentemente relacionadas a quadros que exigem planejamento, acompanhamento especializado e estrutura hospitalar.

De acordo com a Cardiotórax, a suspensão decorre de um desequilíbrio econômico-financeiro acumulado, provocado pela falta de reajuste dos honorários médicos há quatro anos e pela necessidade de revisão do teto de faturamento. A cooperativa informou que notificou formalmente o Planserv em 31 de março de 2026 e voltou a tratar do assunto em reunião presencial realizada no dia 17 de junho, com representantes da operadora. A pedido do próprio Planserv, um novo ofício foi encaminhado em 19 de junho, com prazo de resposta até 26 de junho, mas, segundo a entidade médica, o prazo terminou sem manifestação.

Para a advogada da Cardiotórax, Marina Basile, a suspensão não é uma medida precipitada, mas o resultado de um processo conduzido com responsabilidade institucional. “A Cardiotórax buscou o diálogo até o limite possível. Estamos falando de uma relação essencial para milhares de beneficiários, mas também de um modelo que precisa garantir condições mínimas de sustentabilidade para que médicos altamente especializados continuem prestando assistência com segurança, qualidade e previsibilidade”, afirma. Segundo ela, a cooperativa entende a preocupação dos pacientes, mas considera que a ausência de resposta às solicitações formais inviabilizou a continuidade do contrato nos termos atuais.

A cooperativa informa que os procedimentos que já possuem autorização emitida pelo Planserv serão realizados conforme as condições pactuadas anteriormente. Já os atendimentos e cirurgias eletivas sem autorização prévia, a partir de 2 de julho, não poderão ser faturados pela Cardiotórax ao Planserv durante o período de suspensão contratual. Na prática, esses casos passarão a depender de orientação individualizada, especialmente quando houver necessidade de orçamento particular ou definição de novas alternativas assistenciais.

Nos casos de urgência e emergência, a Cardiotórax informa que a decisão sobre o atendimento caberá ao médico, com base na avaliação clínica individual, considerando o risco e a necessidade de cada paciente. A cooperativa afirma que envidará esforços para buscar alternativas de cobrança e faturamento dos procedimentos realizados durante o período de suspensão, mas reforça que o cenário exige orientação clara aos pacientes, hospitais e equipes assistenciais. As diretorias hospitalares já foram comunicadas da situação, e o Conselho Regional de Medicina da Bahia também foi notificado.

“A prioridade da Cardiotórax continua sendo a segurança do paciente. O que não podemos é naturalizar um cenário em que procedimentos complexos, que envolvem responsabilidade técnica elevada, equipes especializadas e risco assistencial, permaneçam por anos sem atualização adequada dos honorários e sem resposta concreta às tentativas de negociação”, afirma Marina Basile,. A diretoria da cooperativa informa que seguirá acompanhando os desdobramentos e poderá rever a suspensão caso haja avanço efetivo nas tratativas com o Planserv. Beneficiários que precisarem de orientação da Cardiotórax podem entrar em contato pelo telefone (71) 3331-1882. A cooperativa também recomenda que os pacientes consultem o Planserv sobre rede assistencial, autorizações e orientações administrativas.

 

Crédito: Magnific

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