

As árvores artificiais instaladas pela Prefeitura de Salvador para as comemorações do 2 de Julho abriram uma nova frente de críticas à gestão de Bruno Reis. Para a vereadora de oposição Aladilce Souza (PCdoB), uma das idealizadoras do movimento SOS Áreas Verdes, a iniciativa simboliza uma política ambiental que privilegia a cenografia em vez de soluções concretas. “Essas árvores alegóricas resumem uma gestão que investe na fotografia. Árvore de plástico não produz sombra, não reduz a temperatura e não captura carbono. O prefeito criou a política do ecofake”.
A crítica também alcança os chamados Corredores Verdes, apresentados pela prefeitura como uma das principais vitrines ambientais da gestão. Aladilce afirma que o programa consumiu recursos elevados, mas entregou pouco diante da urgência de ampliar a cobertura vegetal da cidade. “Salvador precisa de arborização de verdade, não de marketing ambiental”, disse.
Corredores milionários
O próprio IBGE reforça o argumento. Dados do Censo 2022 mostram que 65,6% dos moradores de Salvador vivem em ruas sem nenhuma árvore, fazendo a capital saltar da oitava para a segunda posição entre as capitais menos arborizadas do Brasil, atrás apenas de São Luís.
A vereadora também lembra que o debate ocorre poucos dias depois de a Justiça suspender os efeitos financeiros do 22º Termo Aditivo do contrato entre a Prefeitura de Salvador e a Battre para a operação do Aterro Metropolitano Centro. O aditivo prorrogou a concessão por mais 20 anos, em um contrato estimado em R$ 2,67 bilhões. A ação judicial aponta possível prejuízo de R$ 498 milhões aos cofres públicos e a decisão cita indícios que justificaram a medida cautelar, além de suspender reajustes que elevaram em cerca de 72% a tarifa de destinação dos resíduos e em aproximadamente 130% a tarifa da estação de transbordo.
“Primeiro vieram os corredores verdes milionários. Agora aparecem árvores artificiais. Enquanto isso, o maior contrato ambiental da prefeitura está sendo questionado pela Justiça. A cidade precisa de menos propaganda e mais política pública”, concluiu Aladilce.



