

O senador Jaques Wagner (PT-BA) ocupou a tribuna do Senado Federal nesta terça-feira (16) para expressar sua indignação com a reportagem de capa da revista Veja publicada na última semana. O líder do governo classificou a matéria como um exemplo do “instituto da leviandade” que, de acordo com ele, atinge a imprensa, parte das instituições e as redes sociais no Brasil.
“Esse ‘instituto da leviandade’ precisa ter um ponto final. A capa da Veja fala de uma delação inexistente, porque foi negada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República”, afirmou Wagner. O senador acrescentou que as acusações sobre supostos negócios do PT da Bahia são recorrentes e sem provas. “Já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação que encontrou algo sobre o meu comportamento ou do ex-governador Rui Costa”, defendeu.
Wagner também garantiu que, ao contrário do que indica a matéria da Veja, jamais teve qualquer tipo de relação com o empresário Daniel Vorcaro. “Eu não tenho – e nunca tive – nenhuma relação. Não tenho nenhum negócio, aliás, eu não tenho nem CNPJ. Eu só tenho CPF”, pontuou.
O senador condenou o método de vazamentos ilegais de conteúdos sigilosos com o intuito de desgastar a imagem de políticos. “O absurdo é esse material sair de uma delação que só aqueles que inquiriram o senhor Daniel Vorcaro sabem do que se trata. Levianamente e ilegalmente, vazaram esse conteúdo, como vazaram no tempo da Lava Jato. Querem bater nos políticos em geral, para chafurdar todos na lama”, criticou.
Ao encerrar o discurso, Wagner promoveu uma autocrítica sobre a legislação aprovada durante o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff: a Lei das Organizações Criminosas (Lei 12.850/2013). Ele avaliou que o Congresso Nacional cometeu um erro ao admitir a delação para pessoas presas, o que, segundo ele, abre margem para coações psicológicas.
“A lei de delação premiada admitiu a delação com as pessoas sob coação, pessoas presas. Foi a partir dela que se arrancou um número infindável de acusações que levaram o presidente Lula à cadeia, por exemplo. Talvez naquele momento a gente não se deu conta dos impactos violentos que ela poderia ter”, analisou o senador.



