

Novos documentos da Polícia Federal tornados públicos após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ampliam o alcance das investigações envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Os registros apontam possíveis relações de favorecimento a agentes políticos, suspeitas de uso de informações privilegiadas e a participação em articulações que teriam impacto no sistema financeiro.
As apurações também citam o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em episódios relacionados a viagens internacionais e encontros empresariais, além de trazer detalhes sobre a construção de uma proposta legislativa que, segundo a PF, teria sido estruturada dentro do próprio banco.
Hospedagens e encontros no exterior
De acordo com a investigação, mensagens interceptadas indicam que Daniel Vorcaro teria organizado hospedagens para Ciro Nogueira e Hugo Motta durante uma viagem a Lisboa, em junho de 2024. As reservas teriam sido feitas em hotel de alto padrão, com preocupação expressa do empresário em relação à segurança e à privacidade dos convidados.
Em registros obtidos pela PF, Vorcaro menciona a necessidade de controle de acesso ao local e reforço de medidas de isolamento, indicando que o espaço deveria ser restrito a convidados previamente listados.
Benefícios e viagens sob análise
A Polícia Federal aponta que o senador Ciro Nogueira teria recebido benefícios associados a viagens internacionais, incluindo deslocamentos em aeronaves privadas, hospedagens de luxo e despesas em diferentes países, como França, Estados Unidos e Portugal.
Entre os gastos citados nos documentos estão estadias em hotéis de alto padrão e pagamentos classificados pelos investigadores como expressivos, que somariam valores relevantes ao longo do período analisado.
A PF sustenta que esses benefícios estariam ligados a interesses do Banco Master em temas regulatórios e legislativos.
A chamada “Emenda Master”
Outro ponto central das investigações envolve uma proposta de alteração legislativa apelidada de “Emenda Master”. O texto previa a ampliação do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), passando de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
Segundo a PF, a minuta da proposta teria sido elaborada por integrantes ligados ao próprio Banco Master antes de ser apresentada no Senado. Os investigadores afirmam que o documento protocolado teria semelhança integral com o material produzido internamente pela instituição financeira.
Mensagens analisadas indicam ainda que o empresário teria comemorado a apresentação da emenda, tratando a proposta como relevante para o setor bancário.
Monitoramento de investigações
Os documentos também descrevem um suposto esquema de monitoramento de investigações envolvendo o banco e pessoas ligadas a ele. Um ex-servidor da Polícia Federal é citado como tendo realizado consultas em sistemas internos para rastrear informações sobre investigações em andamento.
Segundo a PF, essas ações fariam parte de um grupo estruturado para levantamento de dados sigilosos, com o objetivo de antecipar movimentos de investigações e obter informações estratégicas.
Prisões e desdobramentos
Entre os investigados estão familiares do empresário, incluindo um primo que já foi preso no âmbito do caso. As investigações seguem em andamento e ainda analisam a extensão das relações entre os envolvidos, possíveis benefícios indevidos e impactos sobre decisões regulatórias e políticas relacionadas ao setor financeiro.
O Supremo Tribunal Federal acompanha os desdobramentos e deve avaliar novas medidas à medida que o avanço das apurações for consolidado pela Polícia Federal.
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