

A arte e o sagrado se encontram na obra do cantor e compositor baiano Mateus Aleluia e essa conexão ganha registro no filme “Pontos de Força”, da Têm Dendê Produções, que estreia no dia 20 de junho (sábado) no In-Edit Brasil 2026 — Festival Internacional do Documentário Musical, onde concorre como melhor filme na competição nacional. A natureza, as imagens e as paisagens do cotidiano de Cachoeira e do exercício do Candomblé na cidade do Recôncavo Baiano ilustram “Pontos de Força”, sob a direção e roteiro de Vânia Lima a partir da ideia original de Aleluia, que faz uma imersão em busca de sua ancestralidade através de uma leitura inovadora sobre a relação de sua arte com a fé, além de revisitar sua história.
Mateus Aleluia é um artista mergulhado na sua ancestralidade, construída desde a sua infância no Recôncavo da Bahia, em Cachoeira — cidade que, para ele, já nasceu sendo metrópole e como um ponto de convergência de interesses, “pela sua própria localização, pelas pessoas de decisões que aqui vieram parar. Por esse encontro mesmo de cultura. Aqui estão os donos da terra, chegam os portugueses, depois vêm os africanos. Cachoeira é justamente isso, verdadeiramente afrobarroco”, define no documentário.
Diretora do filme, Vânia Lima lembra que Mateus é gravado com frequência por artistas de diferentes gerações da música brasileira — mais recentemente, Anitta trouxe para seu novo disco um trecho de “Cordeiro de Nanã”, dos Tincoãs, grupo liderado por ele. “Na música, a investigação de Mateus consolidou o sotaque africano na MPB. O trabalho desenvolvido no Brasil e na África ganhou reverberação nas novas gerações da música brasileira, veteranos e novos talentos bebem da fonte de sua pesquisa e imersão na ancestralidade”. Para ela, “Pontos de Força” é uma oportunidade de evidenciar lugares sagrados de reencontro com o passado histórico e antropológico, crenças e culturas que emolduram a identidade baiana e brasileira.
O documentário visita terreiros e paisagens de Cachoeira, com depoimentos de lideranças religiosas, historiadores e guias turísticos que atestam que a cidade é um dos berços da cultura afro-brasileira e foi, durante muito tempo, uma das mais importantes do Brasil. Sobre sua relação com a espiritualidade, tema recorrente de sua obra, Mateus define como uma realidade física. “Ela é. Não adianta eu concordar ou discordar. Ela independe. Aquilo que não é pra ser desaparece. Aquilo que é pra ser permanece, por mais que seja combatido”, fala, em “Pontos de Força”.
“É um filme que fala desse homem que também carrega uma energia que transcende e desse lugar que também carrega histórias e uma força ancestral muito grande. A gente vai percorrendo esses caminhos e entendendo essa história. Acredito que tem uma possibilidade de encantar e tocar as pessoas porque ele toca em lugares sensíveis, fala sobre vida, sobre energia, sobre pessoas, sobre ancestralidade. Ele chega de uma forma muito especial, muito diferente”, reflete Paula Hazin, produtora executiva do projeto, ao lado de Vânia Lima e Keyti Souza.
A direção de produção é de Bruno Ramos e Paula Hazin e Direção de Fotografia de Cláudio Antônio. O filme integra a programação do festival com exibições no SPCINE Olido em sua estreia, às 16h do dia 20; CineSesc, no dia 27 de junho, às 20h30; e na Cinemateca Brasileira (Sala Grande Otelo), no dia 28 de junho, às 16h, em uma sessão com debate. “Bregueragem”, outro projeto da Têm Dendê, dirigido por Daniel Arcades, também foi selecionado para o festival e ganha exibição nos dias 18, às 19h, no Matilha Cultural; 20, às 21h, no Cine Bijou; e 24, às 15h, no CCSP Paulo Emílio.
Crédito das fotos: Vinícius Xavier