

Integrantes do PL da Bahia têm demonstrado resistência à possibilidade de participar da campanha de ACM Neto (União Brasil) ao Governo do Estado sem que o ex-prefeito de Salvador declare apoio ao senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). O impasse expõe divergências dentro da direita baiana e ocorre em meio às articulações para as eleições de 2026.
Nos bastidores, lideranças do PL e aliados de ACM Neto construíram um entendimento segundo o qual o ex-prefeito apoiaria a candidatura presidencial de Ronaldo Caiado (PSD) no primeiro turno. Em contrapartida, haveria a possibilidade de uma aproximação com Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar do acordo, uma ala do partido segue pressionando ACM Neto a declarar apoio imediato ao senador bolsonarista. O movimento contraria, inclusive, posicionamentos recentes da própria família Bolsonaro. Em maio, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou apoiar a candidatura de ACM Neto ao governo baiano e disse que não adiantaria “torcer o nariz” para a decisão política adotada no estado.
A discussão ganhou força após a passagem de Flávio Bolsonaro pela Bahia nesta semana. O senador participou de eventos ligados ao agronegócio e buscou ampliar sua presença no eleitorado baiano.
Pré-candidata à Câmara dos Deputados, a médica Raíssa Soares afirmou que o apoio da direita a ACM Neto depende de diálogo e alinhamento político. Segundo ela, a mobilização da base bolsonarista demonstra que há disposição para enfrentar o PT no estado.
— A vinda de Flávio Bolsonaro à Bahia mostrou que existe uma direita viva, mobilizada e pronta para entrar nessa batalha. Se ACM Neto quer o nosso apoio, precisa entender que apoio não é automático e que essa base não vai entrar numa campanha sem diálogo — declarou.
O deputado estadual Diego Castro (PL) também ressaltou a força do grupo bolsonarista no estado e avaliou que a visita de Flávio serviu para demonstrar a organização do movimento no Nordeste.
— Acredito que ACM Neto tenha observado o quanto essa base está empenhada em vencer o nosso adversário comum — afirmou.
Por outro lado, o presidente estadual do PL, João Roma, segue defendendo a aliança com ACM Neto. Ex-ministro da Cidadania e pré-candidato ao Senado na chapa liderada pelo ex-prefeito de Salvador, Roma tem atuado para manter a unidade da oposição ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).
O cenário evidencia o desafio de ACM Neto em equilibrar o apoio de diferentes setores da oposição baiana enquanto busca consolidar sua candidatura ao Palácio de Ondina. Pesquisas recentes apontam um quadro de disputa acirrada com Jerônimo Rodrigues, reforçando a importância das alianças políticas para o próximo pleito.
(O Globo)
Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo, Pablo Jacob / Agência O Globo e Cristiano Mariz/Agência O Globo



