sexta, 12 de junho de 2026
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LULA DISTRIBUI R$ 215 BILHÕES EM “BONDADES” PARA O CONGRESSO EM ANO ELEITORAL

João - 12/06/2026 09:01 - Atualizado 12/06/2026

As medidas lançadas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva para estimular a economia este ano já somam R$ 215 bilhões (1,6% do PIB, o total de produtos e serviços gerados na economia), acima das receitas adicionais, de R$ 109 bilhões (0,8% do PIB).

Apesar do rombo, a equipe econômica poderá chegar ao fim do ano e anunciar o cumprimento da meta de resultado das contas, porque só R$ 9 bilhões, ou 4% da expansão, entram no chamado “arcabouço fiscal”, segundo o economista Marcos Mendes, pesquisador do Insper, que foi do Ministério da Fazenda no governo Michel Temer.

— O governo colocou uma regra e ele mesmo foi procurar meios de contornar essa regra — afirmou Mendes, referindo-se ao arcabouço.

Foto: Gesival Nogueira/Valor

— Quando o governo faz uma série de políticas de financiamento subsidiado, financiamento a caminhoneiro, financiamento a taxistas e motoristas de aplicativo, amplia o (programa de financiamento para a habitação popular) Minha Casa Minha Vida, ele está tirando dinheiro do Orçamento pela chamada via financeira — completou Mendes.

Gastos ‘financeiros’ e ‘extraorçamentários’

No total da expansão fiscal (soma dos gastos com a renúncia de receita), R$ 97 bilhões, ou 45%, são em despesas “financeiras”, que não entram na contabilidade do gasto “primário”, efetivamente desembolsado pelo Tesouro, segundo as contas do especialista, reunidas em relatório da XP Investimentos, divulgado no início do mês.

São classificados nessa rubrica os recursos que o Tesouro disponibiliza para as linhas de crédito subsidiado para a aquisição de caminhões, ônibus e carros para taxistas e motoristas de aplicativo, todas operadas pelo BNDES. Ainda no total da expansão, R$ 35 bilhões, ou 16%, foram classificadas por Mendes como “extraorçamentárias”, pois lançam mão de fundos públicos, fora do Orçamento.

São os casos da linha do BNDES para inovação tecnológica, que usa uma pequena parte do FAT com juros abaixo das taxas de mercado, e do Fundo Clima, turbinado por “títulos verdes” emitidos pelo Tesouro e usado pelo BNDES para ampliar sua capacidade de emprestar.

E o primário?

Com isso, as despesas ou desonerações primárias respondem por R$ 83 bilhões, ou 39% da expansão. E mesmo nessas rubricas há exceções, que não entram na conta do teto de gastos do arcabouço, lembrou Mendes.

— A meta de resultado primário deste ano é de R$ 34,3 bilhões (de superávit), que o governo se propôs a atingir. E aí o governo está prevendo um déficit de R$ 60,3 bilhões e está dizendo que vai cumprir a regra — disse Mendes, explicando que há R$ 64,4 bilhões em exceções.

A conta no longo prazo: especialistas alertam para o impacto fiscal das ‘pautas-bomba’ aprovadas no Senado

O economista ponderou que decisões do Judiciário e do Congresso Nacional também criaram exceções ao arcabouço fiscal.

— O Congresso criou uma parte, o Judiciário criou outra, mas com o consentimento e o apoio do governo — afirmou Mendes.

O economista lembrou que algumas das “bombas fiscais” votadas pelo Senado nesta quarta-feira lançam mão de recursos extraorçamentários:

— O Congresso está aprendendo com as manobras do Executivo. A bancada do agro apresentou a proposta de usar recursos do Fundo Social para refinanciar dívidas agrícolas.

 

Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert/PR

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