

O economista Helcio Tokeshi, sócio-diretor da gestora IG4 é o presidente da Braskem, a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas. Ex-secretário da Fazenda de São Paulo no governo Alckmin, com passagens por McKinsey e Banco Mundial, Tokeshi vai liderar a diretoria da Braskem.
Em entrevista ao Valor Econômico, ele afirmou que o processo de reestruturação da Braskem não vai ser fácil e haverá turbulências, mas disse que o momento ajuda, referindo-se à melhora dos preços e da demanda de petroquímicos como reflexo do conflito no Oriente Médio.
Tokeshi disse ainda que a companhia terá de lidar com questões urgentes e convencer credores no Brasil e no México a suspender o vencimento de compromissos (“standstill”) até que se alcance um acordo dentro de um provável processo de recuperação extrajudicial.
Segundo ele, a companhia quer evitar o pagamento, em julho, de US$ 150 milhões em juros, além de parcela principal da dívida, o que poderia pressionar perigosamente a liquidez, apesar da recente melhora das margens de petroquímicos.
Não há intenção de recorrer a uma recuperação judicial. Mas uma eventual antecipação de vencimentos por parte dos credores poderia levar a medidas mais duras do lado da empresa.
Além disso, a Braskem precisará avançar em transformações de médio e longo prazos, dentro de um processo de reestruturação que vai além do financeiro. Os novos sócios reconhecem que a dinâmica de oferta e demanda e os custos na petroquímica global mudaram estruturalmente, o que exige ajustes operacionais e de estratégia.
O novo presidente da empresa disse também que não é hora de vender ativos e que mais adiante, sim, ativos não estratégicos poderiam compor um pacote de desinvestimentos.
Tampouco está nos planos da nova diretoria perder o controle da Braskem Idesa, subsidiária mexicana que está insolvente e opera uma das unidades mais competitivas do grupo.
“A proposta é que o país tenha uma indústria petroquímica saudável, olhando uma cadeia que começa na Petrobras, passa pela Braskem e chega aos transformadores”, afirmou o CEO na entrevista ao Valor Econômico.
Segundo ele, a migração da nafta para o gás como matéria-prima, incluindo a expansão do complexo petroquímico no Rio de Janeiro, e a expansão da produção e portfólio de petroquímicos verdes (obtidos a partir do etanol) seguem como alvos da companhia.
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