O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as articulações diplomáticas com os Estados Unidos na tentativa de evitar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada recentemente pelo governo americano. As conversas devem avançar na próxima semana, quando ministros brasileiros participam de uma videoconferência com representantes do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), embora a data ainda não esteja oficialmente confirmada.
As tratativas ocorrem em um momento de encerramento do prazo de um mês estabelecido para um grupo de trabalho criado após encontro entre Lula e o presidente Donald Trump, realizado em maio, em Washington. Esse período se encerra no próximo domingo (7), mas fontes do governo indicam que as negociações podem se estender até 15 de julho, data prevista para eventual início da cobrança das tarifas, caso não haja acordo.
Segundo informações divulgadas, o USTR justificou a proposta de sobretaxa de 25% alegando práticas comerciais consideradas “irrazoáveis” por parte do Brasil. Entre os pontos levantados pelos Estados Unidos estão questões tarifárias, o sistema de pagamentos Pix, preocupações relacionadas ao combate à corrupção, desmatamento e restrições ao etanol norte-americano no mercado brasileiro.
Além dessa medida específica, o governo dos Estados Unidos também apresentou uma proposta separada de tarifa de 12,5% aplicada de forma mais ampla a mais de 60 países, incluindo o Brasil. Essa segunda iniciativa está relacionada a preocupações sobre a fiscalização de cadeias produtivas e o combate à comercialização de produtos associados ao trabalho forçado.
No governo brasileiro, a avaliação é de que há maior margem para negociação em relação à tarifa de 25%, voltada exclusivamente ao Brasil. Já a medida mais ampla, por envolver diversos países, é vista como mais difícil de ser revertida.
A estratégia do Palácio do Planalto neste momento é concentrar esforços no campo comercial e tarifário. Embora haja abertura para discutir ajustes pontuais, integrantes do governo afirmam que o sistema de pagamentos Pix não está em negociação e segue tratado como tema inegociável nas conversas com os Estados Unidos.
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