

senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou um ofício ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo norte-americano não imponha tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A manifestação ocorreu após o anúncio do novo tarifaço feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A medida anunciada por Washington atinge cerca de 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano e gerou repercussão no cenário político brasileiro. O anúncio ocorreu uma semana após Flávio e o deputado federal Eduardo Bolsonaro se reunirem com representantes do governo dos EUA.
Durante a agenda nos Estados Unidos, os parlamentares solicitaram que as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) fossem classificadas como organizações terroristas, pedido atendido posteriormente pelo governo norte-americano.
Após o anúncio das tarifas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo agravamento da crise diplomática entre os países.
“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele [o pai], e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, disparou Lula.
Em resposta às críticas, Flávio Bolsonaro afirmou que não solicitou a imposição de tarifas ao Brasil e divulgou o ofício enviado ao governo dos Estados Unidos. No documento, o senador reconhece a importância da parceria entre os dois países, agradece pela classificação das facções criminosas como organizações terroristas e demonstra preocupação com os impactos econômicos da medida.
“A imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil”, diz trecho do documento.
No ofício, Flávio Bolsonaro também argumenta que o Brasil enfrenta dificuldades econômicas, com aumento da dívida pública, alta inadimplência e crescimento nos pedidos de recuperação judicial de empresas. Segundo ele, novas tarifas agravariam o cenário econômico nacional.
O senador ainda afirmou que pretende aprofundar relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos caso seja eleito presidente da República nas eleições deste ano.
Confira, a seguir, o documento completo:
“Prezado Secretário Rubio,
Escrevo, antes de tudo, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.
Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — alcançando também o seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.
Escrevo também, contudo, para manifestar minha preocupação com a recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — a determinação apenas inicia um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho — considero meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.
O Brasil vive um grave processo de deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado apontam para um recorde de 83,7% até o fim do ano. As contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes. O peso sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está atualmente inadimplente — quase metade da população adulta —, com os compromissos financeiros consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar. No setor empresarial, as recuperações judiciais — equivalentes brasileiras ao Chapter 11 dos Estados Unidos — dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números representa um recorde histórico.
Nesse contexto, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.
Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil neste mês de outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nossas nações — construído sobre os princípios dos mercados livres, do respeito mútuo e da aliança estratégica que nossos povos merecem.
Permaneço inteiramente à sua disposição e espero aprofundar ainda mais a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.
Que Deus abençoe os Estados Unidos, e que Deus abençoe o Brasil.
Respeitosamente,
Flávio Bolsonaro
Senador da República Federativa do Brasil.”
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado



