sábado, 10 de outubro de 2026
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AXIA ENERGIA TESTA SOLUÇÃO PARA REDUZIR INTERFERÊNCIAS DE AVES EM LINHAS DE TRANSMISSÃO

João - 10/10/2026 08:37 - Atualizado 10/10/2026

O projeto piloto iniciado no estado de Alagoas envolve a instalação em torres de transmissão de dispositivos inibidores e plataformas artificiais de nidificação feitas de cipó biodegradável para realocação segura dos ninhos, criando um ambiente mais seguro e garantindo tanto a preservação das aves quanto a segurança operacional do sistema elétrico.

A relação entre a operação do sistema elétrico e as aves silvestres têm imposto desafios ambientais e técnicos em áreas de transmissão de energia. Em vários estados do Nordeste, o histórico de desligamentos de energia associado à presença de aves nas estruturas fez com que a AXIA Energia, após intensos estudos envolvendo diversas áreas técnicas, implementasse um projeto que promovesse a convivência harmônica entre carcarás (Caracara plancus), espécie que utiliza torres de transmissão como ponto de observação e construção de ninhos, e a operação das linhas de transmissão da companhia.

A solução encontrada para o problema envolveu as áreas de Meio Ambiente, Operação e Manutenção. O objetivo era desenvolver um plano que equilibrasse a confiabilidade do sistema elétrico e a proteção das aves. O acompanhamento mensal e o uso de câmeras permitiram observar o comportamento dos carcarás e ajustar as estratégias adotadas até que se alcançasse uma harmonização entre a natureza e a presença humana.

O projeto-piloto, iniciado em 2024, foi aplicado em 20 torres da linha de transmissão de 230 kV Rio Largo II – Arapiraca III, selecionadas com base em critérios como recorrência de desligamentos provocados pela presença de aves, acessibilidade e proximidade da Subestação Rio Largo. Metade das estruturas recebeu intervenções específicas, enquanto as demais foram mantidas como grupo de controle, permitindo a comparação dos resultados ao longo do monitoramento.

Nas torres selecionadas, foram instalados dispositivos inibidores de pouso e espículas em pontos críticos das estruturas, além de plataformas artificiais de nidificação. A combinação dessas soluções teve como objetivo dificultar a construção de ninhos em áreas de risco e, ao mesmo tempo, oferecer locais alternativos mais seguros para que as aves pudessem se reproduzir.

“O projeto foi pensado para atender a uma demanda da Operação que reduzisse os danos ao sistema elétrico e, ao mesmo tempo, preservasse o ciclo de vida das aves. O resultado foi um modelo que diante dos resultados positivos será replicado nos demais ativos da companhia”, destaca Jader Fernandes de Jesus, diretor de Licenciamento Ambiental e Condicionantes da AXIA Energia.

Os resultados comprovaram que as aves aceitaram as plataformas artificiais. Em um dos casos, em que o ninho havia sido construído em posição crítica, com distância mínima da linha de alta tensão, ocorreu a realocação para a estrutura artificial instalada na própria torre, em local seguro. De forma natural, o casal de carcarás manteve o ciclo reprodutivo no novo local, com postura, desenvolvimento do filhote e voo, sem impactos à operação da linha e sem necessidade de qualquer interação entre homem e animal, uma vez que todo o manejo é realizado em momento estratégico, durante a ausência das aves e de forma rápida e segura.

A experiência confirmou que, quando realizada de forma técnica e no momento adequado, a realocação de ninhos pode ser uma alternativa eficaz para conciliar a proteção da fauna com a segurança do sistema elétrico. Para garantir que a aplicação dos ninhos artificiais ocorra de forma satisfatória, a empresa passou a adotar vistorias regulares em conjunto com a equipe de manutenção. Com isso, a detecção dos ninhos ocorre ainda na fase inicial de construção da estrutura, momento em que a equipe de Meio Ambiente entra em ação para realizar o manejo e o reposicionamento da nova morada dos carcarás.

Solução sustentável

As plataformas artificiais utilizadas no projeto são cestos confeccionados em cipó, material natural, biodegradável e de baixo impacto ambiental. A escolha desse material levou em consideração critérios técnicos e ambientais: o cipó apresenta resistência mecânica e às condições climáticas, oferece conforto térmico e possui características semelhantes às estruturas naturais utilizadas pelas aves, o que aumenta a aceitação das plataformas pela espécie. Além disso, a iniciativa contribui para a economia local, uma vez que os cestos foram adquiridos de fornecedores da região, valorizando o trabalho artesanal e o conhecimento tradicional local.

Com o sucesso do projeto-piloto, a AXIA Energia já aprovou a ampliação da iniciativa para outros ativos no Nordeste, especialmente nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, além da expansão das ações em Alagoas. Também estão previstos novos testes com materiais alternativos, o aprimoramento dos dispositivos de inibição e a ampliação do uso de tecnologias de monitoramento, com expectativa de aplicação da solução para outras espécies em diferentes regiões do país.

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