

A Meta, empresa dona de plataformas digitais como Instagram e Facebook, admitiu, nesta quinta-feira (08), ao Correio, a existência de uma falha no sistema de contagem de visualizações nos vídeos publicados na plataforma da empresa. A situação ocorre em meio a campanha eleitoral para o segundo turno e em um momento em que a coligação Brasil Pronto pra Mais, que inclui o PT, PV e PCdoB, denuncia a suspeita de favorecimento à campanha de Flávio Bolsonaro e prejuízo à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva.
Relatos que circulam nas redes sociais apontam que a contagem de visualizações de vídeos no Instagram deixaria de crescer de maneira considerada anormal justamente quando determinadas publicações começam a ganhar repercussão. Até o momento, porém, não há confirmação de que a falha esteja relacionada a uma ação deliberada para reduzir o alcance de conteúdos políticos ou de publicações ligadas à campanha petista. Porém, a reportagem conseguiu constatar diferença em pelo menos um dos vídeos publicados pelo presidente Lula no reels do Instagram, que apresentava quantidade de curtidas maior que a de visualizações. Diferentemente de outras plataformas, o Instagram não exige um tempo mínimo de permanência no vídeo para contabilizar a visualização.
Em resposta sobre o problema, a Meta reconheceu a existência de uma falha. “Identificamos um problema técnico afetando algumas métricas de vídeos. Estamos trabalhando para resolver essa questão o mais rápido possível”. A manifestação da empresa confirma a existência de uma instabilidade na medição de algumas métricas, mas não esclarece quais vídeos foram afetados, a dimensão do problema ou se houve impacto na distribuição das publicações.
O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirma que a situação coloca em xeque a integridade das eleições e a igualdade de condições na disputa entre os candidatos. “A combinação entre os expedientes ilegais da campanha de Flávio Bolsonaro com a recorrente falta de transparência da plataforma põe em xeque a integridade das eleições na medida que acaba por beneficiar a candidatura da extrema-direita. Não há ‘paridade de armas’, equilíbrio ou justa disputa no ambiente digital se uma rede social permite esse tipo de manobra ou se a Justiça demora em punir. Nem a META explica por que há favorecimento aos conteúdos postados por Flávio, que tem 2,6 mais visualizações do que os postados pelo Presidente Lula, nem o TSE desarticulada e pune a rede de collabs que burla a Lei e ainda gera monetização para os envolvidos”, afirma.
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