

Três anos após o ataque do Hamas contra Israel, em 7 de outubro de 2023, o conflito provocou mudanças nas relações de poder do Oriente Médio e abriu novas frentes de confronto na região. A ofensiva deixou cerca de 1,2 mil mortos e 251 pessoas sequestradas em Israel.
O ataque começou com a entrada de milhares de integrantes do Hamas e de outros grupos palestinos em áreas próximas à fronteira com Gaza, além do lançamento de cerca de 5 mil foguetes. Entre os locais atingidos estava o Festival Nova, onde centenas de pessoas foram mortas. Três brasileiros estavam entre as vítimas: Bruna Valeanu, Karla Stelzer Mendes e Ranani Glazer.
Em resposta, Israel iniciou uma operação militar em Gaza. Segundo o Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas, cerca de 74 mil palestinos morreram desde o início dos confrontos. Mesmo após o cessar-fogo anunciado em outubro de 2025, ataques israelenses contra alvos no território continuaram.
O conflito também se estendeu para outros pontos do Oriente Médio. O Hezbollah abriu uma frente no Líbano, os houthis passaram a atacar Israel e embarcações no Mar Vermelho, enquanto grupos ligados ao Irã atuaram no Iraque e na Síria. Israel e Irã também entraram em confronto direto, com participação militar dos Estados Unidos.
A capacidade de atuação dos grupos aliados de Teerã foi reduzida durante esse período. O Hamas perdeu força em Gaza, o Hezbollah teve parte de sua estrutura militar e de sua liderança atingida no Líbano, e a queda de Bashar Assad, na Síria, em dezembro de 2024, retirou do Irã um importante aliado regional.
No Egito, a guerra ampliou a atuação do governo de Abdel Fattah al-Sisi como mediador entre Israel e Hamas. O país também passou a ter papel central na entrada de ajuda humanitária em Gaza pela passagem de Rafah.
Dentro de Israel, o ataque provocou mudanças políticas. O governo de Binyamin Netanyahu passou a ser cobrado pelas falhas de segurança que permitiram a ofensiva. Pesquisas indicam que parte da população responsabiliza o primeiro-ministro pelo episódio, enquanto familiares de reféns também criticaram a condução das negociações para a libertação dos sequestrados.
As eleições parlamentares israelenses estão marcadas para 27 de outubro e serão as primeiras desde o início da guerra. A composição do Parlamento e as alianças entre os partidos podem definir a permanência de Netanyahu no cargo.
A data também mobiliza homenagens às vítimas. No Rio de Janeiro, uma ação na Praia de Ipanema reproduz parte do memorial criado no local do Festival Nova. Foram instaladas 397 placas com imagens das vítimas, além de uma faixa com a inscrição “6:29 – O momento em que a música parou”, em referência ao horário de início do ataque.
Foto: Reprodução/Youtube/Al Jazeera