

As mudanças nas condições climáticas provocadas por um fenômeno como o El Niño podem ser sentidas também na saúde. Calor intenso, redução da umidade do ar e, em determinadas regiões, aumento das chuvas criam condições que afetam diariamente as vias áreas e podem favorecer o surgimento ou agravamento de problemas respiratórios.
Segundo a médica otorrinolaringologista Dra. Flávia Perrucho, as vias aéreas superiores são especialmente sensíveis às alterações de temperatura e umidade. Em períodos mais quentes e secos, por exemplo, o ressecamento das mucosas pode provocar desconfortos que vão desde irritações na garganta até episódios de sangramento nasal.
“As vias aéreas sofrem bastante com variações climáticas. Quando temos um clima seco, ocorre um maior ressecamento das mucosas do nariz e da garganta, o que pode favorecer sangramentos nasais, irritação ou dor de garganta. Já o calor, principalmente, associado à poluição, também pode contribuir para crises de rinite alérgica e asma”, explica a especialista.
O excesso de umidade também exige atenção. Em períodos de chuvas mais intensas, é comum que as pessoas permaneçam por mais tempo em ambientes fechados, aumentando a exposição a alérgenos e facilitando a circulação de vírus responsáveis por infecções de vias aéreas superiores.
“Ambientes mais úmidos podem favorecer a presença de ácaros e mofo, importantes desencadeadores de alergias respiratórias. Além disso, a maior permanência em locais fechados aumenta o contato entre as pessoas, facilitando a transmissão de infecções respiratórias”, acrescenta Dra. Flávia.
Nordeste exige atenção devido ao calor mais intenso e à possibilidade de redução da umidade
Em regiões onde as mudanças climáticas irão causar temperaturas mais elevadas e queda da umidade, os cuidados com a hidratação das vias aéreas ganham ainda mais importância. A especialista destaca medidas simples incorporadas à rotina que podem ajudar a reduzir os desconfortos provocados pelo clima.
Entre as principais recomendações estão beber água regularmente ao longo do dia, com atenção especial à hidratação das crianças, e realizar lavagem nasal com soro fisiológico. Em situações específicas e com orientação profissional, a nebulização também pode ser indicada.
Uma alimentação leve e equilibrada, com frutas e alimentos ricos em água, é outra aliada. Em ambientes muitos secos, umidificadores ou recipientes com água podem contribuir para melhorar a umidade do ar.
O ar-condicionado também merece atenção. Embora seja um recurso frequente para enfrentar as altas temperaturas, seu uso prolongado pode aumentar o ressecamento do ambiente e das mucosas.
“O mais importante é manter uma boa hidratação, tanto do organismo quanto das vias aéreas. A lavagem nasal com soro fisiológico é uma medida simples que pode fazer parte da rotina. Também é importante ter cuidado com ambientes excessivamente secos e com o uso prolongado do ar-condicionado”, orienta a otorrinolaringologista.
Dra. Flávia Perrucho ressalta ainda que sintomas persistentes, crises respiratórias frequentes, sangramentos nasais recorrentes ou dificuldade para respirar devem ser avaliados por um profissional de saúde.
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