quarta, 30 de setembro de 2026
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MACHADO DE XANGÔ É ASSENTADO NO FÓRUM DA COMARCA DE CAMAÇARI

Hugo Leite - 30/09/2026 19:21

O Fórum da Comarca de Camaçari recebeu, nesta quarta-feira (30), o assentamento do Machado de Xangô, símbolo sagrado que representa o orixá da Justiça, do equilíbrio e da retidão na tradição afro-brasileira. A solenidade integra o projeto 12 Machados de Xangô, iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Bahia (OAB-BA), em parceria com o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) e casas tradicionais de matriz africana.

A ação reafirma o compromisso institucional com o respeito à diversidade religiosa, à liberdade de crença e à valorização da cultura afro-brasileira nos espaços do Poder Judiciário. O projeto já levou o símbolo ao prédio do TJBA, em Salvador, em maio de 2025, e ao Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-BA), em outubro do mesmo ano. A chegada do Machado à Comarca de Camaçari amplia essa trajetória para o interior do Estado.

A iniciativa em Camaçari foi articulada pela OAB-BA em parceria com a Associação Beneficente, Cultural e Religiosa do Terreiro Unzó Tatêto Lembá Diá Nzambi (Terreiro de Lembá), comunidade tombada como Patrimônio Cultural do município e liderada pelo sacerdote Táta Ricardo Tavares.

Durante a solenidade, a secretária-geral da OAB-BA, Cléia Costa, destacou que o assentamento representa mais um avanço do projeto na construção de uma Justiça comprometida com a pluralidade e com o reconhecimento da diversidade que compõe a sociedade baiana.

“A ideia é fortalecer uma democracia plural, com diversidades, e que reconhece o ser humano, o baiano, na sua complexidade como pessoa, como ser religioso, mas, antes de tudo, que põe aqui, mais uma vez, a oportunidade do diálogo entre entidades, mas também com a população baiana. É mais um machado, que é um simbólico para continuarmos refletindo sobre o país que precisamos.”

Líder espiritual do Terreiro de Lembá, Táta Ricardo Tavares destacou o caráter histórico da solenidade e apontou o assentamento como parte de um processo de reconhecimento, reparação e garantia de direitos para a população negra e os povos de terreiro.

“Um marco histórico para a nossa sociedade. Na casa do Tribunal de Justiça da Bahia, a gente tem uma retrospectiva de ações de negação de direitos, de promoção de dor e morte. Então hoje se reescreve uma nova história onde a gente inicia um processo, de fato, de consolidar direitos, justiça social, reparação e reparar o direito à vida e a garantia dos seus símbolos, da sua identidade, de memória, em especial do povo negro, povo preto deste estado e dos terreiros de Candomblé na luta pela vida contra o racismo e toda a intolerância religiosa”

 

Foto: Divulgação/Matheus da Silva

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