

Até as provas do Enem, nos dias 8 e 15 de novembro de 2026, os estudantes vão acompanhar assuntos como as eleições, o El Niño e a COP31, além de debates relacionados à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Nenhum deles, porém, tem presença garantida no exame. Mas, um caminho é entender os conceitos por trás das notícias e estabelecer relações com os conteúdos estudados e que aparecem no exame.
“Mais do que saber o que está acontecendo, é importante compreender os contextos e as diferentes questões envolvidas em cada acontecimento”, afirma Francisco Peque, diretor de operações de unidades escolares do Bernoulli Educação.
Para ele, a atenção às atualidades não deve ser confundida com uma certeza. “O que a prova pode cobrar são os conceitos, os processos e as relações que esses acontecimentos ajudam a entender. Uma questão pode não falar das eleições, mas exigir que o estudante compreenda como funciona a representação política. Pode não citar o El Niño, mas pedir que ele relacione o oceano, atmosfera e chuva. Quem entende o fenômeno está preparado para as duas situações”, explica.
Entre os assuntos que podem servir de ponto de partida para esse exercício estão:
Eleições como ponto de partida para entender a política
O primeiro turno acontece em 4 de outubro, e um eventual segundo turno, em 25 de outubro. Para além de candidatos e propostas, o período é uma oportunidade de entender o funcionamento do sistema. Presidente, governador e senador são eleitos pelo sistema majoritário. Os deputados passam pelo sistema proporcional, em que os votos dados ao partido ou à federação contam para distribuir as cadeiras.
Esse conteúdo se relaciona com Ciências Humanas, principalmente Sociologia, Filosofia e História do Brasil República, e com conceitos como democracia representativa, cidadania e participação política. O debate sobre desinformação durante a campanha também pode ser analisado como fenômeno social, sem se limitar ao posicionamento de candidatos ou partidos. “Conceitos como democracia, cidadania e participação política não estão restritos à sala de aula. Ao acompanhar o debate público com atenção e senso crítico, o aluno consegue estabelecer relações entre o conteúdo estudado e situações concretas”, destaca Peque.
Mudanças climáticas: do El Niño às negociações da COP31
O fenômeno climático El Niño ajuda a compreender relações entre oceano, atmosfera e regime de chuvas. O aquecimento acima do normal das águas do Pacífico altera a circulação dos ventos e a formação das chuvas. No Brasil, os impactos podem variar entre excesso de chuva e alagamentos e períodos de seca e redução dos níveis dos reservatórios.
A agricultura também está entre os setores mais sensíveis, porque as mudanças de chuva e temperatura afetam diretamente o desenvolvimento das culturas e a produtividade. O assunto permite relacionar conteúdos de Geografia a questões como abastecimento, energia e produção de alimentos. “Mais do que decorar qual efeito o El Niño provoca em determinada região, o aluno pode tentar entender o caminho que leva até aquele resultado”, afirma Francisco Peque.
O tema também se conecta às discussões da COP31, 31ª Conferência do Clima da ONU, que acontece de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antália, na Turquia. A conferência reúne governos, organismos internacionais, cientistas e sociedade civil para discutir avanços e novos compromissos relacionados ao Acordo de Paris. Para os estudantes, conceitos como mitigação (redução das emissões), adaptação (preparação para os impactos das mudanças climáticas) e financiamento climático ajudam a compreender o debate.
ECA DIGITAL: proteção, internet e liberdade em discussão
Em vigor desde 17 de março de 2026, a Lei nº 15.211/25 cria um marco jurídico para proteger crianças e adolescentes no ambiente on-line, com regras para redes sociais, jogos, aplicativos e plataformas de vídeo. A norma obriga as empresas a adotar ferramentas de controle parental e verificação de idade.
O tema está próximo da realidade de quem vai fazer o Enem. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Cetic.br, 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos usam a internet. Entre eles, 65% já usam inteligência artificial generativa, e 59% recorrem à tecnologia para pesquisas escolares ou estudos. Outros 10% usam a IA para conversar sobre problemas pessoais ou emoções, o que abre a discussão sobre os limites dessas ferramentas.
Em Sociologia e Filosofia, o assunto aciona temas como o papel dos algoritmos, a tensão entre liberdade de expressão e proteção integral e a responsabilidade de empresas, famílias e Estado. Também pode servir como repertório para a redação, ao reunir legislação, dados e um contexto social contemporâneo.
Canetas emagrecedoras ampliam debate sobre saúde e mercado
Em 2026, as canetas emagrecedoras ganharam espaço no debate sobre mercado e saúde pública. O tema reúne biologia, economia e políticas públicas e permite diferentes abordagens a partir das áreas do conhecimento.
Em Biologia, o tema passa pela ação hormonal: esses medicamentos regulam a glicose no sangue e reduzem o apetite. Em Ciências Humanas, levanta a relação entre patentes, concorrência, preço e acesso à saúde. O assunto também permite discutir medicalização e padrões de corpo, além da diferença entre tratamento e busca por resultados rápidos.
Como conectar atualidades ao que é estudado
Ler a notícia é o primeiro passo. Para que ela vire conteúdo de prova, ajuda responder a três perguntas sobre cada tema: qual conceito está por trás do fato, qual é a causa e quem é afetado pelas consequências. Duas ou três linhas por tema, anotadas num mesmo lugar, formam um banco de repertório para as semanas finais. Na redação, o repertório ajuda quando tem relação direta com o tema e sustenta o argumento, e não apenas quando é citado. Uma forma de exercitar isso é colocar o conhecimento em prática na produção de textos.
“Eleições, fenômenos climáticos e saúde são apenas alguns exemplos de temas que ajudam a aproximar o conhecimento estudado na escola de questões presentes no cotidiano. A partir disso, o estudante consegue desenvolver uma leitura mais crítica sobre o mundo à sua volta”, comenta Peque.
Crédito foto: Pedro Vilela/Agência i7



