quarta, 30 de setembro de 2026
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CEARÁ PASSA A BAHIA COMO SEGUNDO MAIOR PRODUTOR DE LEITE DO NORDESTE

Hugo Leite - 30/09/2026 15:36

Com uma produção de leite 1,29 bilhão de litros de leite em 2025, o Ceará ultrapassou a Bahia e passou a ocupar a segunda posição no ranking do Nordeste de produção de leite. No ano passado, a Bahia registrou 1,22 bilhão de litros, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou Pernambuco liderança regional, com 1,52 bilhão de litros.

De acordo com o site Conexão 085, a pesquisa mostra que os cearenses estão em oitavo lugar no ranking nacional de produção de leite. O resultado representa um crescimento de pouco mais de 7% na produção cearense em relação a 2024, quando foram registrados 1,21 bilhão de litros.

O desempenho é diversificado pelas localidades do estado. Todos os 184 municípios cearenses aparecem na PPM como produtores de leite, com destaque para áreas do Sertão Central, Centro-Sul e Vale do Jaguaribe. Entre os municípios, Morada Nova permanece na liderança estadual, com 117,3 milhões de litros em 2025, crescimento de 7,8% sobre o ano anterior. A cidade é também a terceira maior produtora de leite do Nordeste e a 11ª do Brasil.

Os dados mais recentes do Projeto Campo Futuro, realizado pela CNA em parceria com as federações estaduais, ajudam a entender parte do movimento observado na produção cearense. Em agosto de 2026, o programa levantou informações sobre custos e produtividade da pecuária leiteira em Milhã, Quixeramobim e Morada Nova. Em Milhã, as propriedades consideradas modais chegaram a uma produção de cerca de 350 litros por dia, contra 200 litros no levantamento anterior.

De acordo com o levantamento, o resultado está associado a investimentos em melhoramento genético e planejamento forrageiro, enquanto o uso de pastagens cultivadas, silagem de sorgo e palma forrageira também aparece entre as estratégias utilizadas pelos produtores para manter a alimentação do rebanho durante períodos de menor disponibilidade natural de alimentos.

O estudo também mostra que a atividade vem apresentando indicadores econômicos relevantes em algumas regiões. Em Quixeramobim, onde as propriedades analisadas produzem, em média, 100 litros de leite por dia, a margem bruta por hectare da pecuária leiteira ficou 84% acima do valor obtido com o arrendamento da área para a pecuária de corte. Por outro lado, a falta de mão de obra especializada foi apontada como o principal desafio nas três regiões avaliadas.

Outro indicador da expansão está no número de vacas ordenhadas. O Ceará passou de 732,1 mil cabeças em 2024 para mais de 757 mil em 2025, alta de 3,4%. Em Morada Nova, porém, ocorreu movimento diferente: o município produziu mais leite mesmo com uma leve redução no número de vacas ordenhadas, de 42,6 mil para 41,8 mil animais, um resultado que o levantamento associa à maior eficiência das técnicas de manejo.

O avanço coloca a pecuária leiteira em uma posição cada vez mais relevante dentro do agronegócio cearense. Além de ampliar o volume produzido, os dados do Campo Futuro indicam que parte dos produtores vem buscando ganhos de produtividade por meio de genética, alimentação planejada e adoção de tecnologias. O desafio, agora, é transformar esse aumento de produção em uma cadeia cada vez mais eficiente e capaz de agregar valor ao leite produzido no Estado.

 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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