

O ZUMVÍ Arquivo Afro Fotográfico realiza, no dia 3 de outubro, um encontro presencial voltado a educadoras, educadores, artistas-educadores e pessoas interessadas em práticas educativas afrorreferenciadas, antirracistas e decoloniais. A atividade será realizada das 9h às 12h, na sede do ZUMVÍ, no Pelourinho, em Salvador, e integra o projeto Educativo Zumví: Educando Através da Memória e da Cultura Afro-Brasileira.
Com 30 vagas, o encontro propõe um espaço de troca e reflexão sobre as possibilidades da fotografia como ferramenta de mediação arte-educativa, partindo do acervo do ZUMVÍ e de experiências de profissionais que atuam nos campos da educação, das artes e da cultura. As vagas terão prioridade para profissionais da rede pública de ensino e as inscrições vão até amanhã, 29 de setembro.
A atividade também busca fortalecer práticas pedagógicas comprometidas com o enfrentamento ao racismo e contribuir para a aplicação das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que estabelecem a obrigatoriedade do ensino das histórias e culturas afro-brasileira e indígena nas escolas.
A programação contará com a participação de Joa Assumpção, mediadora, artista-educadora, pedagoga e mestranda em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA); Lázaro Roberto, fotógrafo, arte-educador e cofundador e mantenedor do ZUMVÍ, conhecido como “Lente Negra”; e Romário Oliveira, professor, arte-educador e idealizador da Plataforma Akoben, que atua na formação em artes visuais a partir de perspectivas antirracistas, decoloniais e afrorreferenciadas.
Mais do que apresentar conteúdos, a proposta é criar um ambiente de diálogo entre diferentes experiências e trajetórias. A partir das fotografias preservadas pelo ZUMVÍ, os participantes poderão refletir sobre como imagens, memórias e narrativas produzidas pela população negra podem ser incorporadas aos processos educativos, ampliando referências e possibilidades de abordagem da história e da cultura afro-brasileira.
Para Lázaro Roberto, a experiência parte de uma característica fundamental do acervo do ZUMVÍ: a construção de registros sobre a população negra a partir do olhar de fotógrafos negros.
“O nosso acervo guarda imagens de diferentes momentos da vida da população negra na Bahia, registradas por quem vive e participa dessas histórias. Trazer essas fotografias para o campo da educação é também criar outras possibilidades de leitura sobre a nossa história, nossa cultura e nossas experiências. O encontro com educadores é uma oportunidade de compartilhar esse acervo e, ao mesmo tempo, escutar quem está no cotidiano das escolas e pensar coletivamente em como essas imagens podem contribuir para uma educação antirracista”, afirma.
Fotografia, memória e educação
Fundado em Salvador, em 1990, por Lázaro Roberto, Aldemar Marques e Raimundo Monteiro, o ZUMVÍ Arquivo Afro Fotográfico nasceu com o compromisso de registrar a vida da população negra a partir do olhar de fotógrafos negros. Ao longo de sua trajetória, o arquivo reuniu um amplo repertório visual sobre Salvador e a Bahia, com registros de manifestações culturais e religiosas, blocos afro, afoxés, movimentos sociais, territórios quilombolas, festas populares, política, cotidiano, afetos e estética.
Essa experiência fundamenta as ações educativas desenvolvidas pelo projeto Educativo Zumví, que utiliza memória, fotografia e patrimônio como instrumentos para aproximar estudantes, educadores e jovens da história e da cultura afro-brasileira.
O encontro com educadores integra uma programação mais ampla do projeto, que também contempla visitas mediadas às galerias do ZUMVÍ, produção de materiais pedagógicos e um Curso de Mediação Cultural voltado à formação de jovens negros para atuação em museus e espaços culturais.
Ao aproximar o acervo de profissionais da educação, a iniciativa busca contribuir para que as fotografias deixem de ser apenas registros históricos e possam também funcionar como disparadoras de perguntas, reflexões e novas formas de ensinar e aprender sobre as experiências da população negra.
Plataforma Akoben
A participação de Romário Oliveira amplia o diálogo com experiências contemporâneas de formação em artes visuais. À frente da Plataforma Akoben, o professor e arte-educador desenvolve ações pautadas em perspectivas antirracistas, decoloniais e afrorreferenciadas, contribuindo para a construção de práticas educativas que questionam referências únicas e valorizam diferentes formas de produção de conhecimento.
A troca entre o acervo do ZUMVÍ e essas experiências educativas reforça a proposta de construir ferramentas que possam ser incorporadas ao cotidiano de educadores e instituições de ensino, especialmente no trabalho previsto pelas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008.
As inscrições para o encontro acontecem entre os dias 25 e 27 de setembro, por meio do formulário disponível em abre.ai/educadoreszumvi e também no perfil do ZUMVÍ. Após a seleção, as pessoas participantes deverão confirmar presença por meio do e-mail enviado pela organização.
O projeto Educativo Zumví: Educando Através da Memória e da Cultura Afro-Brasileira conta com Patrocínio da Wilson, Sons via Programa de Isenção Fiscal Viva Cultura – Salvador, da Prefeitura de Salvador, Secretaria Municipal da Fazenda – SEFAZ, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo – SECULT e Fundação Gregório de Mattos – FGM.
O ZUMVÍ Arquivo Afro Fotográfico é mantido com apoio financeiro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia.
SERVIÇO
O quê: Encontro ZUMVÍ com Educadores + Plataforma Akoben
Quando: 3 de outubro de 2026, sábado, das 9h às 12h
Onde: ZUMVÍ Arquivo Afro Fotográfico, Rua Gregório de Matos, 29, Pelourinho, Salvador/BA
Quem pode participar: Educadoras, educadores, artistas-educadores e pessoas interessadas em práticas educativas afrorreferenciadas, antirracistas e decoloniais
Vagas: 30 pessoas, com prioridade para profissionais da rede pública de ensino.
Inscrições: 25 a 29 de setembro
Formulário: abre.ai/educadoreszumvi