

O Outubro Rosa reforça a conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, mas também se consolida como um momento crucial para debater os impactos das terapias oncológicas na pele — sobretudo em mulheres negras e mestiças.
A integridade da pele negra não representa um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de mama. No entanto, suas particularidades fisiológicas e de pigmentação fazem com que os processos inflamatórios decorrentes de radioterapia, quimioterapia e intervenções cirúrgicas resultem em alterações mais evidentes e duradouras.
Para o triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima a ocorrência de 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano no Brasil.
Entre as reações cutâneas mais frequentes durante a radioterapia estão eritema (vermelhidão), ressecamento, descamação, prurido, hipersensibilidade e variações na tonalidade do tecido. Levantamentos clínicos indicam que reações inflamatórias na pele são recorrentes em pacientes submetidas ao tratamento radioterápico.
Em fototipos altos, processos inflamatórios frequentemente desencadeiam a hiperpigmentação pós-inflamatória, manifestada pelo escurecimento persistente da região afetada mesmo após a recuperação tecidual. Pesquisas internacionais apontam que ainda existem lacunas expressivas na literatura sobre a prevalência e a intensidade dessas manifestações especificamente em mulheres negras.
“Durante a jornada oncológica, a saúde da pele precisa ser acompanhada continuamente. A resposta inflamatória pode gerar alterações na pigmentação que persistem por anos, um cenário comum em peles negras e mestiças”, explica a médica Danìelà Hermes (CRM-BA 50111) , pós-graduada em Saúde Pública e profissional com duas décadas de atuação dedicadas à saúde das peles plurais.
Segundo a médica, o acompanhamento deve ser iniciado, idealmente, de forma preventiva, antes do surgimento das lesões.
“O plano terapêutico precisa ser individualizado e alinhado à equipe responsável pelo tratamento do câncer. Medidas como a hidratação profunda da barreira cutânea, a higienização suave e a observação constante são fundamentais, mas a introdução de qualquer ativo ou produto deve passar por validação médica prévia”, orienta Danìelà Hermes.
Na Clidany, a médica atende e orienta pacientes com foco nas necessidades e particularidades das peles negras e plurais.
Sinais como vermelhidão intensa, dor, coceira persistente, descamação acentuada, feridas, bolhas ou secreções devem ser prontamente reportados à equipe multidisciplinar de saúde.
Procedimentos voltados para o tratamento de manchas, cicatrizes ou alterações na textura da pele exigem avaliação criteriosa e, durante a vigência do tratamento radioterápico ou na presença de lesões ativas, só devem ser realizados mediante autorização expressa dos médicos assistentes.
Neste Outubro Rosa, a mensagem central é que a assistência médica não deve se restringir ao combate ao tumor. Preservar a saúde tecidual e o conforto físico e emocional também faz parte da atenção integral à mulher em tratamento oncológico.
A identificação precoce das alterações na pele e o acompanhamento médico são determinantes para preservar a funcionalidade do tecido, o bem-estar e a qualidade de vida durante e após o período terapêutico.
Fotos: Magnific



