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PAPA LEÃO XIV CONDENA EUTANÁSIA E COBRA COMBATE A ABUSOS NA FRANÇA

João - 28/09/2026 07:12

Em pronunciamento realizado neste domingo, 27, o papa Leão XIV declarou ser inviável naturalizar a prática da eutanásia e do suicídio assistido.

Na mesma ocasião, o pontífice exortou o episcopado francês a manter o rigor nas ações de prevenção e reparação frente aos casos de violência sexual contra menores cometidos no âmbito eclesiástico.

​A manifestação ocorre após a aprovação, pelo Parlamento da França em julho, da legislação que faculta a eutanásia e a morte assistida a indivíduos com enfermidades sem cura.

A medida enfrentou forte resistência da Santa Sé, que classificou a mudança como uma “ruptura antropológica”.

​”Não se pode encarar como algo normal a interrupção deliberada da vida. Nem tudo o que é respaldado pela lei possui amparo moral”, afirmou a liderança católica.

Na sexta-feira anterior, em agenda oficial com o presidente francês Emmanuel Macron, o papa já havia externado críticas à oferta de procedimentos para a antecipação da morte.

​Acolhimento em Lourdes

​Sob aplausos dos fiéis, o líder religioso reforçou que nenhuma norma humana tem a capacidade de anular a dignidade intrínseca da pessoa.

O discurso foi proferido no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, tradicional ponto de peregrinação que atrai anualmente milhões de devotos em busca de restauração da saúde e onde a Igreja contabiliza 72 curas consideradas milagrosas.

​Dirigindo-se aos enfermos, o pontífice declarou que eles não representam um fardo, mas sim o centro vital da humanidade e um patrimônio de valor inestimável para a comunidade eclesiástica, redefinindo o local como a “cidade dos doentes e da esperança”.

Enfrentamento aos abusos

​No tocante aos escândalos de abuso infantil, Leão XIV pediu continuidade na resposta da Igreja aos crimes ocorridos no meio religioso. O apelo antecedeu um encontro privado com sete vítimas de agressão sexual no país.

As dimensões do problema vieram à tona em 2021, quando um estudo encomendado pela própria hierarquia católica projetou a existência de cerca de 330 mil vítimas menores de idade desde a década de 1950.

​De acordo com nota divulgada pelo Vaticano sobre a reunião a portas fechadas com a Conferência Episcopal Francesa, o papa destacou a determinação com que o episcopado enfrentou a questão nos últimos anos e reforçou a exigência de permanente vigilância.

​Como gesto simbólico ligado ao tema, a diocese de Lourdes promoveu o ocultamento integral dos mosaicos situados na fachada de uma de suas basílicas.

As obras foram concebidas pelo sacerdote esloveno Marko Rupnik, alvo de denúncias de abusos, e a intervenção buscou assegurar um ambiente adequado para o retorno das vítimas ao local sagrado.

​A programação da viagem papal encerra-se nesta segunda-feira na cidade de Metz, onde o chefe da Igreja Católica proferirá um discurso dedicado às relações na União Europeia e à promoção da paz.

 

(A Tarde)

 

Foto: Divulgação | Vatican News

 

 

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