segunda, 28 de setembro de 2026
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DA VENDA DA EBAL AO BANCO MASTER: A SEQUÊNCIA QUE COLOCOU POLÍTICOS BAIANOS NO RADAR DAS INVESTIGAÇÕES

Redação - 28/09/2026 17:56 - Atualizado 28/09/2026

A venda da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela antiga rede Cesta do Povo, em 2018, voltou ao centro das discussões após as investigações relacionadas ao Banco Master. A operação, realizada por R$ 15 milhões, envolveu o programa Credicesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos da Bahia, e posteriormente se conectou à trajetória empresarial de Augusto Ferreira Lima e ao grupo que passou a operar o produto.

A Ebal foi arrematada pela NGV Empreendimentos e Participações em abril de 2018, no terceiro leilão realizado pelo governo baiano. As duas primeiras tentativas não tiveram interessados. Na terceira, a empresa apresentou a única proposta e adquiriu a participação acionária da estatal, os fundos de comércio das 49 lojas da Cesta do Povo, o direito de exploração da marca e o programa Credicesta.

Naquele período, Jaques Wagner ocupava o cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, pasta responsável pela condução do processo. Reportagens posteriores apontaram que Augusto Lima participou das articulações para tornar o negócio mais atrativo, especialmente por meio da estruturação do cartão consignado. A Revista Piauí relatou que Lima se reuniu com Wagner e defendeu mudanças no modelo do Credicesta antes do terceiro leilão.

Após a venda, decretos estaduais ampliaram as possibilidades de utilização do cartão e estabeleceram condições relacionadas à operação do crédito consignado. Reportagens apontam que essas mudanças contribuíram para aumentar o valor econômico do negócio. O tema passou a ser investigado e voltou ao debate público após a crise do Banco Master.

Wagner voltou a defender publicamente a operação em maio de 2026. Em manifestação no Senado, o parlamentar argumentou que a Ebal acumulava prejuízos e classificou a antiga estatal como uma estrutura que precisava ser encerrada. A defesa do senador sustenta que o processo de venda seguiu os procedimentos previstos e que a privatização buscava interromper as perdas provocadas pela empresa.

Mais recentemente, o nome de Wagner voltou a aparecer em reportagens sobre o caso Master por causa de alegações atribuídas a Daniel Vorcaro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o banqueiro apresentou relatos sobre supostas relações financeiras e políticas envolvendo pessoas ligadas ao negócio. Essas afirmações fazem parte de investigações e relatos atribuídos a Vorcaro e não equivalem, por si só, a uma comprovação judicial das acusações.

Outro nome baiano citado no contexto das investigações é o senador Otto Alencar. A relação dele com a Ebal é anterior ao leilão de 2018. Otto presidiu o Conselho de Administração da empresa, que também foi analisado por uma CPI instaurada na Assembleia Legislativa da Bahia em 2007.

Já em 2026, mensagens obtidas pela Polícia Federal colocaram novamente o senador no radar do caso Master. Segundo informações divulgadas pelo UOL a partir de relatório da PF, Daniel Vorcaro se referia a Otto como “conselheiro” e “comandante”. As mensagens indicam que o advogado Ciro Soares teria funcionado como intermediário entre os dois.

Inicialmente, Otto negou ter mantido contato com Vorcaro. Posteriormente, admitiu ter conversado duas ou três vezes com o banqueiro por meio do telefone de Ciro Soares. Segundo o senador, Vorcaro buscava apoio para uma proposta que ficou conhecida como “emenda Master”, que pretendia elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Otto afirma que não apoiou a proposta, que não avançou no Congresso.

A crise do Banco Master provocou um impacto bilionário sobre o FGC. Segundo dados oficiais do próprio fundo, as liquidações do Banco Master, Master de Investimentos e Letsbank levaram à provisão de R$ 40,6 bilhões para o pagamento de garantias aos credores.

Com as liquidações posteriores do Will Bank e do Banco Pleno, o valor estimado das garantias relacionadas ao conjunto de instituições chegou a aproximadamente R$ 51,8 bilhões. O número inclui R$ 6,3 bilhões referentes ao Will Bank e R$ 4,9 bilhões relacionados ao Banco Pleno.

A conexão entre a antiga Ebal, o Credicesta, Augusto Lima e o Banco Master passou a ser objeto de diferentes reportagens e investigações. Há também relatos e acusações ainda sob apuração envolvendo agentes públicos e privados. As autoridades responsáveis pelas investigações deverão determinar se houve irregularidades na privatização, na estruturação do Credicesta ou em operações posteriores.

Até o momento, a documentação pública permite reconstruir uma sequência que começa com a privatização da Ebal em 2018, passa pela transformação do Credicesta em um produto de crédito consignado e chega à posterior relação do negócio com o grupo Master. A eventual existência de ilícitos e a responsabilidade individual de cada envolvido, porém, dependem das conclusões das investigações e das decisões das autoridades competentes.

Foto: Divulgação

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