

Em busca de soluções tecnológicas para um dos gargalos históricos mais severos da Bahia, a escassez hídrica no semiárido, a Associação Comercial da Bahia (ACB) iniciou tratativas com especialistas do leste europeu. O vice-presidente da entidade, o advogado Zilan Costa e Silva, cumpriu agenda técnica na Bulgária, onde visitou instalações da Stroyproject, companhia de ponta em sistemas de semeadura de nuvens para indução de chuvas e proteção contra granizo.
O vice-presidente da ACB conheceu de perto as operações aéreas sediadas no aeroporto de Ruse e percorreu a fábrica de equipamentos meteorológicos da empresa em Stara Zagora. A intenção é avaliar a viabilidade de um projeto experimental em solo baiano, articulado em parceria com centros de pesquisa e universidades.
Parceria científica contra a estiagem
A tecnologia desenvolvida pelos búlgaros opera a partir de vetores aéreos que dispersam agentes químicos específicos nas nuvens para acelerar a condensação e precipitação, método que vem sendo aprimorado em lavouras europeias para proteger safras e regular regimes de água. Se adaptado ao semiárido nordestino, o modelo pode virar uma alternativa viável para mitigar perdas na agricultura e na pecuária regional. A iniciativa, no entanto, ainda depende de estudos climáticos preliminares e articulação com a comunidade científica local.
“Brasil e Bulgária têm muito a oferecer um ao outro, mas as oportunidades não se transformam sozinhas em comércio e investimentos. Precisamos nos encontrar, construir confiança e trabalhar em projetos concretos. O caminho é longo e começa com o primeiro passo. Esta visita é um desses passos”, pontuou Zilan Costa e Silva.
Além do clima
Embora o foco inicial tenha sido o enfrentamento da seca, a interlocução mira um leque mais amplo de negócios bilaterais. Entram no radar setores como agroindústria de alimentos, transição energética, logística de transportes, turismo e intercâmbio acadêmico. Historicamente conectada ao comércio exterior desde a sua fundação, em 1811, a ACB quer retomar o protagonismo da Bahia nas rotas de cooperação internacional fora do eixo tradicional dos grandes mercados globais.
“A Associação Comercial da Bahia tem grande interesse no desenvolvimento dessas relações. Nosso objetivo é fazer com que a cooperação alcance diferentes setores e produza resultados práticos para as empresas, as universidades e a sociedade dos dois países”, concluiu o vice-presidente. O próximo desdobramento prevê rodadas de conversas com pesquisadores baianos e representantes do setor produtivo para desenhar as bases do possível projeto-piloto no estado.