

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (25) que a bandeira tarifária de outubro será verde. Com isso, os consumidores não terão cobrança adicional sobre a tarifa de energia elétrica no próximo mês.
A mudança representa um alívio em relação aos meses anteriores, quando estava em vigor a bandeira amarela, que acrescentava R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos.
Entre janeiro e abril de 2026, a bandeira permaneceu verde devido às condições favoráveis para a geração de energia. A partir de maio, porém, a bandeira amarela foi acionada e permaneceu nos meses seguintes.
Segundo a Aneel, o início da transição entre os períodos seco e úmido em algumas das principais bacias hidrográficas do país provocou aumento das chuvas, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. O cenário contribuiu para a recuperação e estabilização dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas.
Com a melhora das condições de geração, será possível reduzir a necessidade de acionamento de fontes consideradas mais caras, como as usinas termelétricas. Essa redução ajuda a evitar a cobrança de valores adicionais nas contas de energia.
Para Maikon Del Ré Perin, executivo de Risco e Inteligência de Mercado da Ludfor, a chegada da bandeira verde durante a primavera representa um sinal positivo para o mercado, especialmente diante da melhora das vazões na Região Sul e da consequente redução dos preços de curto prazo.
O especialista, porém, afirma que o cenário exige atenção. Segundo ele, o aumento das temperaturas durante a mudança de estação pode elevar a demanda por refrigeração, enquanto fenômenos climáticos, como o El Niño, podem alterar o padrão de chuvas.
Alan Henn, CEO da Voltera, também avalia que a mudança está relacionada à recuperação dos reservatórios e à menor necessidade de utilização de usinas com custos mais elevados. Para ele, apesar do alívio nas tarifas, a variação dos custos de energia ao longo do ano reforça a importância de acompanhar as tarifas e buscar maior previsibilidade nos gastos.
Criado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias permite que os consumidores acompanhem mensalmente as condições de geração de energia e os possíveis impactos sobre a conta de luz.
Quanto custa cada bandeira tarifária?
A bandeira verde não acrescenta nenhum valor à tarifa de energia, indicando condições favoráveis de geração.
Na bandeira amarela, há um acréscimo de R$ 1,885 para cada 100 kWh consumidos.
Já a bandeira vermelha é dividida em dois patamares. No Patamar 1, o adicional é de R$ 4,463 a cada 100 kWh. No Patamar 2, considerado o nível de maior custo, o acréscimo chega a R$ 7,877 por 100 kWh consumidos.
Quem paga as bandeiras tarifárias?
O sistema é aplicado aos consumidores cativos das distribuidoras de energia elétrica. A exceção são os consumidores localizados em sistemas isolados, que não estão submetidos ao Sistema de Bandeiras Tarifárias.