

A Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), realizou nesta quarta-feira (23) o 1º Seminário Intrassetorial de Integração e Articulação no Atendimento à População em Situação de Rua. O encontro ocorreu na Organização de Auxílio Fraterno (OAF), no bairro da Liberdade.
Promovido pela Diretoria de Proteção Social Especial (DPSE), o evento reuniu trabalhadores de diferentes áreas da rede socioassistencial, além de representantes de outras secretarias. A programação contou com mesas temáticas, apresentações e debates sobre os fluxos de atendimento e os desafios enfrentados pelos profissionais que atuam diretamente com a população em situação de rua.
Referência técnica dos Centros de Referência Especializados para Pessoas em Situação de Rua (Centros POP), o assistente social Mateus Melo de Santana explicou que o encontro busca ampliar o conhecimento dos profissionais sobre os serviços disponíveis no município.
“Embora tenhamos serviços especializados, a proposta do seminário é fazer com que os demais setores entendam que também podem ser portas de entrada para as pessoas em situação de rua”, afirmou Mateus.
Durante o evento, foram discutidos o histórico da assistência social, os serviços previstos pela política de assistência e os desafios da comunicação entre as unidades da rede. A programação também incluiu a apresentação de uma cartilha com informações sobre os serviços socioassistenciais destinados a esse público.
“Além de promover a integração, o objetivo é fortalecer os trabalhadores em relação às especificidades do atendimento às pessoas em situação de rua”, acrescentou o assistente social.
Participaram das atividades profissionais dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), Centros POP, unidades de acolhimento e outros setores da Sempre. Para Mateus, a aproximação entre as equipes pode facilitar a identificação das demandas e o encaminhamento dos usuários aos serviços adequados.
“O primordial é a contribuição e a integração promovidas aqui. Temos trabalhadores dos Cras, dos Creas, dos Centros POP, das unidades de acolhimento e de outros setores internos da Sempre”, ressaltou.
A psicóloga Aila Cabral, servidora da Diretoria de Políticas sobre Drogas da Sempre, pontuou que o atendimento exige a participação de diferentes políticas públicas e não pode ficar restrito à assistência social.
“A gente precisa se articular internamente para oferecer, com dignidade, acesso a direitos e qualidade de vida. Então, a gente discutiu um pouco sobre o que é realmente essa intrassetorialidade, que é arrumar a casa para depois conversar com outros órgãos externos, como a Defensoria Pública e o Ministério Público”, disse Aila.
Segundo a psicóloga, questões relacionadas à habitação e ao acolhimento institucional estiveram entre os principais pontos levantados pelos profissionais durante os debates. Ela explicou que as unidades existentes ainda não conseguem alcançar toda a demanda registrada na cidade.
“A gente tem um quantitativo de pessoas em situação de rua em Salvador que não consegue ser alcançado pelas unidades de acolhimento. Isso tem sido pensado. Há um edital aberto, um chamamento público, para a gente pactuar e contratualizar com novas entidades e ofertar mais vagas”, afirmou Aila.
De acordo com a profissional, o desafio é construir alternativas que permitam a saída das ruas, inicialmente por meio do acolhimento provisório e, posteriormente, pelo acesso à moradia definitiva.
Fotos: Mateus Soares / Secom PMS



