

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre na manhã desta terça-feira (22) o debate de líderes da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nos Estados Unidos.
O petista discursa antes do presidente Donald Trump e, por isso, deve apresentar em seu discurso temas com uma visão de contraponto à do americano.
Lula chegou aos Estados Unidos no domingo (20) e concentrou a agenda de segunda-feira (21) na preparação final do discurso e em encontros com aliados internacionais. Ao longo desta segunda, o petista fez os últimos ajustes no texto ao lado da equipe de assessoria internacional do governo.
Segundo auxiliares do presidente brasileiro, a ideia é mostrar Lula em contraposição a Trump no discurso, uma espécie de “anti-Trump” em assuntos como democracia, comércio e paz mundial.
Internamente, a campanha de Lula quer usar esse discurso em um importante evento internacional para colocar o presidente brasileiro como um “estadista” e mostrar a diferença entre ele e Trump, apoiador de seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro. Membros da campanha petista acreditam que isso possa ter apelo com o eleitor indeciso, não alinhado.
Um dos eixos do discurso de Lula deve ser sobre a erosão do multilateralismo. Em sua fala, Lula deve defender como o enfraquecimento da cooperação entre países provoca impactos na vida real das pessoas em diversas áreas: segurança/paz, emergência climática, saúde, comércio e soberania nacional.
Também é esperado que o presidente faça críticas às Nações Unidas e volte a defender uma reforma na Conselho de Segurança.
O discurso também deve ser crítico aos conflitos globais e ao que o presidente tem dito publicamente sobre ameaça à soberania de países da América Latina, como o que ocorreu no início do ano na Venezuela com a captura de Nicolas Maduro.
Recados sobre tentativa de interferência nas eleições
A expectativa é que o presidente dedique parte do discurso a fazer uma defesa da soberania brasileira e a criticar o que avalia serem tentativas externas de interferência no processo eleitoral do Brasil.
O presidente não deve mencionar diretamente os Estados Unidos, nem o nome do presidente Donald Trump mas – segundo interlocutores – haverá recados direcionados não apenas aos EUA, como também a outros países que, para Lula, tentam influenciar nas eleições do Brasil, como Argentina e Israel.
Para a equipe de Lula, os EUA representam maior ameaça à reeleição do petista, sobretudo, por serem o país das big techs, as gigantes de tecnologia, e pelo protagonismo estadunidense na geopolítica.
O processo eleitoral do Brasil não será tema central do discurso do presidente Lula. No entanto, o governo entende que o tema se tornou relevante porque, na avaliação da diplomacia nacional, “a democracia e o multilateralismo estão sob ataque”.
Outros temas
A expectativa é que Lula reforce linhas tradicionais da política externa brasileira, como:
A ideia, segundo diplomatas que acompanham o presidente, é que ele apresente iniciativas brasileiras e a visão do Brasil sobre o cenário internacional. O combate ao crime organizado e a cooperação internacional também devem entrar na pauta de Lula na ONU.
A orientação é que o presidente destaque as ações adotadas pelo Brasil e a importância da cooperação entre os países, sem direcionar o discurso especificamente a Trump, ao Primeiro Comando da Capital (PCC) ou a episódios recentes envolvendo o tema.
Foto: Shannon Stapleton/Reuters
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