segunda, 21 de setembro de 2026
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DECORAÇÃO DE NATAL COMEÇA A APARECER NO COMÉRCIO DE SALVADOR

João - 21/09/2026 07:14

A pouco mais de três meses do Natal, a festa começa a dar as caras, ainda timidamente, no comércio de Salvador. Nas ruas do Centro, algumas lojas já exibem panetones, enfeites, artigos para casa, embalagens e outros produtos que antecipam a temporada natalina. A decoração ainda divide espaço com os itens tradicionais do dia a dia, mas a expectativa é de que, nas próximas semanas, o vermelho, o dourado e os símbolos da festa ocupem cada vez mais espaço nas vitrines.

Em estabelecimentos como Americanas, Le Biscuit, mercados e armarinhos, os produtos ligados ao Natal já começam a aparecer nas prateleiras. A vendedora Rita de Cássia Amaral espera que, a partir de outubro, as lojas deem mais destaque aos produtos natalinos e que a população comece a antecipar as compras. “Eu estou com uma boa expectativa de que as vendas vão ser tão boas quanto o ano passado. Afinal, está todo mundo dizendo, as informações que temos aqui é que a inflação está estável e que as vendas este ano podem aumentar”, afirmou Rita.

Já a aposentada Almerinda Conceição, que caminhava pela Avenida Sete, ainda não estava pensando nas compras de Natal. Segundo ela, a partir do próximo mês, a ideia é começar a rever as economias para comprar os presentes da família. “Acho que após a eleição as coisas vão ter mais rumo, né? Esperamos que seja um Natal de muita bonança, diferente de alguns dos anos anteriores”, disse.

A antecipação ocorre em um cenário de inflação mais amena. A Região Metropolitana de Salvador registrou deflação de 0,59% em agosto, enquanto o acumulado em 12 meses ficou em 3,64%, conforme o IPCA. Ao mesmo tempo, comerciantes acompanham o crédito e o orçamento das famílias para a temporada de compras.

A movimentação natalina também começa cedo porque as grandes lojas não atendem apenas ao consumidor final. Parte dos produtos é adquirida por pequenos comerciantes, empresas, condomínios e outros estabelecimentos que precisam preparar a decoração com antecedência.

Um dos principais símbolos da temporada, o panetone, também chega cada vez mais cedo às prateleiras. Segundo a Abimapi, a categoria movimentou R$ 1,36 bilhão no Brasil entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, alta de 3,5% no faturamento. O produto já está presente em 63% dos lares brasileiros.

Na Bahia, o último Natal deixou um resultado positivo. Segundo a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), com base na Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, as vendas do comércio baiano cresceram 8% em dezembro de 2025 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A Fecomércio-BA havia projetado faturamento de R$ 22,6 bilhões para o período.

O crédito será outro fator importante para o desempenho deste ano. Na pesquisa nacional de intenção de compras para o Natal de 2025, CNDL e SPC Brasil apontaram que 79% dos consumidores consideravam o crédito importante para as decisões de compra, enquanto 39% afirmaram que comprariam menos presentes sem essa possibilidade.

Fim da escala 6×1 preocupa comerciantes e empresários

Outro assunto que entra no radar dos empresários é a discussão sobre o fim da escala 6×1. Em agosto, Fecomércio-BA, FIEB, FAEB e Fetrabase se posicionaram contra a votação da PEC antes das eleições e defenderam maior debate sobre os impactos econômicos da mudança na jornada de trabalho. Para o presidente do Sindilojas-BA, Paulo Motta, a proposta pode aumentar os custos e dificultar a sobrevivência das empresas do comércio.

“Meu amigo, o ambiente é muito confuso. Estamos vivendo uma situação muito difícil, uma fragilidade do governo. Eliminar o sexto dia é gerar desemprego, criar uma dificuldade enorme para a sobrevivência das próprias empresas. É lamentável hoje que o governo venha ampliar o valor do Bolsa Família. É um desrespeito a quem quer produzir, a quem quer gerar emprego e renda”, afirmou.

Motta defendeu melhores condições para que as empresas possam investir e ampliar suas atividades. “Nós do comércio precisamos ter tranquilidade, uma oportunidade de investir, gerar emprego, abrir novas lojas, criar mecanismos de produção e não ficar reféns de estruturas que, lamentavelmente, estão prejudicando o país. Isso é uma vergonha, é um desrespeito a quem quer gerar emprego e renda e para quem está empregado”, disse.

A discussão ocorre justamente quando o comércio começa a se preparar para o período de maior movimento do ano, tradicionalmente marcado por reforço das equipes e ampliação dos horários de funcionamento. Agora, com o Natal de 2026 começando a aparecer nas vitrines de Salvador, a contagem regressiva já começou. Entre panetones, enfeites e consumidores que começam a rever o orçamento, lojistas esperam que a antecipação da temporada se transforme em vendas.

 

Foto: Divulgação

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