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RELÓGIO BIOLÓGICO E MATERNIDADE: QUANDO A MULHER DEVE BUSCAR AJUDA PARA TER FILHOS?

João - 18/09/2026 21:57

Se historicamente, a maternidade acontecia com jovens entre 20 e 25 anos, idade considerada o pico da fertilidade, atualmente, as brasileiras têm filhos em média aos 28,1 anos, de acordo com o Censo 2022, do IBGE. Na Bahia, a idade média da maternidade é de 27,9 anos. A estimativa é de aumento progressivo dessa idade nas próximas décadas e os dados revelam também que quanto maior a escolaridade mais a maternidade é adiada. Muitas mulheres só começam a pensar em ter filhos a partir dos 35 anos, justamente quando sua fertilidade entra em declínio mais acelerado.

Segundo a médica Gérsia Viana, especialista em medicina reprodutiva e diretora do Huntington Cenafert, os dados refletem uma mudança comportamental decorrente de avanços nas próprias estruturas sociais. “Hoje, a maternidade não é mais uma obrigação, mas uma escolha consciente, a mulher prioriza investir na sua formação acadêmica e na sua carreira profissional e, por isso, adia seus planos de ser mãe”, afirma a médica.

Idade e capacidade reprodutiva da mulher

O relógio biológico da mulher não favorece a maternidade. A idade é um dos fatores naturais que comprometem a sua capacidade de engravidar espontaneamente. Ao nascer a mulher já conta com seu estoque de óvulos para a vida toda. Uma mulher nasce com um a dois milhões de óvulos (oócitos) e, ao contrário do homem que produz espermatozoides durante toda a vida, a mulher não produz novos óvulos e seu estoque vai diminuindo ao longo da vida até a menopausa.

“A partir dos 35 anos, a quantidade e a qualidade dos óvulos começam a cair de forma acelerada até a falência ovariana total. E é justamente a partir dessa idade, quando a fertilidade entra em declínio, que muitas mulheres começam a pensar em ter seu primeiro filho”, esclarece Gérsia Viana

A fertilidade feminina cai progressivamente a partir dos 35 anos de idade até a menopausa. A partir dos 40 anos, a gravidez espontânea ainda é possível, especialmente em mulheres que mantêm ciclos menstruais regulares e apresentam boas condições de saúde ginecológica. No entanto, nessa faixa etária, aumenta significativamente a probabilidade de ser necessário recorrer a tratamentos de reprodução assistida para alcançar a gravidez.

Quando buscar ajuda para engravidar?

Uma mulher com menos de 30 anos e vida sexual ativa, que deseja ser mãe, pode esperar até dois anos para que aconteça a gravidez se ela já foi avaliada por um especialista e não apresenta nenhum problema que possa afetar sua fertilidade. Caso a mulher tenha mais de 30 anos não deve aguardar mais que um ano para iniciar uma investigação com o especialista. Se atingiu 35 anos, o prazo de espera não deve ultrapassar seis meses.

Após os 40 anos de idade, se a mulher deseja engravidar, ela deve iniciar a investigação da sua capacidade fértil o quanto antes. “A investigação da infertilidade sempre deve ser feita por ambos os parceiros para um diagnóstico mais assertivo, pois o homem também pode ter fatores que impeçam ou dificultem a concepção”, orienta a médica Bárbara Melo, especialista em medicina reprodutiva da equipe da Huntington Cenafert.

A busca crescente por tratamentos de reprodução assistida para ter filhos reflete a tendência de adiamento da maternidade. Na Bahia, em 2025, foram realizados 1185 ciclos de Fertilização in Vitro, sendo 316 pacientes com menos de 35 anos e 869 com mais de 35 anos. Os números são do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), vinculado a ANVISA, e mostram que 73 % dos ciclos na Bahia foram realizados por mulheres acima dos 35 anos.

Gravidez de mulheres 40 +

Quando a gravidez não ocorre espontaneamente, é possível contar com as técnicas de reprodução assistida, especialmente a Fertilização in Vitro (FIV), que pode aumentar as chances de gravidez após os 40 anos. “Nesses casos, além de avaliar a condição de fertilidade da mulher, como está sua reserva ovariana e seu aparelho reprodutor, é preciso fazer uma avaliação criteriosa da sua condição geral de saúde”, explica Bárbara Melo.

Uma das alternativas para a mulher que deseja adiar sua maternidade, seja por motivos profissionais ou pessoais, é optar por uma das técnicas de preservação da fertilidade, como a criopreservação de óvulos através do método de vitrificação, considerado eficaz e seguro. A recomendação, no entanto, é que o congelamento seja realizado preferencialmente até os 35 anos, uma vez que, após essa idade, ocorre uma redução progressiva da quantidade e, principalmente, da qualidade dos óvulos.

Outra opção a ser considerada é o congelamento de embriões para futura implantação no útero. Nesse caso, é feito o procedimento de Fertilização in Vitro. Os óvulos coletados são fertilizados com os espermatozoides do parceiro ou de um doador, e os embriões obtidos podem ser congelados para serem transferidos para o útero posteriormente, quando a paciente decidir engravidar. “A indicação de cada técnica é individualizada e depende de vários aspectos, que devem ser alinhados adequadamente entre a paciente e o especialista,” finaliza Gérsia Viana.

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