

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (18), durante uma agenda sobre segurança pública no Rio de Janeiro, que não concorda com a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Durante o discurso, Lula defendeu o combate ao crime organizado, mas questionou o uso do termo terrorismo para se referir às duas facções. Ao comentar a posição do governo de Donald Trump, o presidente citou os atos de 8 de janeiro de 2023 e as investigações sobre um plano para assassinar autoridades brasileiras.
A declaração ocorreu após o governo norte-americano aumentar a pressão sobre o Brasil em relação ao combate ao narcotráfico. Em documento enviado ao Congresso dos Estados Unidos nesta semana, a Casa Branca afirmou que o Brasil não teria enfrentado de forma suficiente o PCC e o Comando Vermelho e classificou os dois grupos como uma ameaça à segurança internacional.
Apesar das críticas feitas por Washington, o Brasil não foi incluído pelo documento na lista de países considerados grandes produtores ou rotas de trânsito de drogas, nem entre os governos apontados formalmente como tendo falhado no cumprimento de compromissos antidrogas. A crítica ao país foi apresentada em um trecho específico do relatório.
A classificação das facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos já havia sido anunciada em maio pelo secretário de Estado, Marco Rubio. A medida foi posteriormente publicada no Federal Register e passou a integrar a política norte-americana de combate a organizações criminosas transnacionais.
No Brasil, autoridades federais contestaram a avaliação de Washington e destacaram operações de combate ao crime organizado, além de ações de inteligência e cooperação com órgãos norte-americanos no enfrentamento ao tráfico de drogas e armas.
Durante a agenda no Rio, Lula também defendeu uma maior integração entre União, estados e municípios na área de segurança pública. O governo federal anunciou ações conjuntas com o estado para combater organizações criminosas e recuperar áreas sob domínio desses grupos.
Foto: Carlos Elias Junior / Agência O Dia