

O deputado estadual Robinson Almeida (PT) ironizou, nesta quinta-feira (17), a situação de ACM Neto, candidato do União Brasil ao governo da Bahia, após a Polícia Federal ter solicitado ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para realizar busca e apreensão contra o ex-prefeito de Salvador. O pedido, no entanto, foi negado pelo ministro Kássio Nunes Marques. “A terceira denúncia de corrupção: ACM Neto já pode pedir música”, afirmou Robinson.
O petista citou três episódios que, segundo sua avaliação política, envolvem o adversário. “A primeira foram os 3,6 milhões que a empresa dele recebeu do Vorcaro. A segunda foi a noticiada no UOL, da atuação do ex-prefeito a favor de Vorcaro em troca de 10% dos aportes de previdência do Banco Master. E a terceira é o esquema do Rei do Lixo”.
O pedido da PF está relacionado à 10ª fase da Operação Overclean, que investiga suspeitas de direcionamento de contratações e possíveis fraudes em contratos da área de Educação da Prefeitura de Belo Horizonte firmados entre 2024 e 2025. Segundo a própria Polícia Federal, pelo menos três procedimentos analisados resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões.
A investigação também alcança o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, além dos irmãos Fábio e Alex Parente e do ex-secretário de Educação de Belo Horizonte Bruno Barral. Barral havia ocupado anteriormente a Secretaria Municipal de Educação de Salvador durante a gestão de ACM Neto. José Marcos de Moura, o “Rei do Lixo”, é sócio de Renata Magalhães, irmã de ACM Neto, na propriedade de uma aeronave.
De acordo com as informações divulgadas sobre a investigação, a PF apura a relação de ACM Neto com a indicação de Barral para a Prefeitura de Belo Horizonte e possíveis vínculos com empresários investigados. A PF chegou a pedir uma busca relacionada ao ex-prefeito, e a Procuradoria-Geral da República se manifestou favoravelmente à medida. Nunes Marques, porém, considerou que não havia base legal suficiente para autorizar a diligência e negou o pedido.
A PF informou que os fatos apurados podem, em tese, configurar crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A própria corporação ressalta que se trata de uma investigação em curso.



