quinta, 17 de setembro de 2026
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CEARÁ É 3º DO NORDESTE EM VOOS DIRETOS E AINDA BUSCA RECUPERAR MALHA AÉREA

VICTOR OLIVEIRA - 17/09/2026 17:46

O Ceará ocupa a 11ª posição no Brasil e o terceiro lugar no Nordeste em disponibilidade de voos diretos, conforme dados do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Em 2025, o Estado contabilizou 21.548 voos domésticos regulares, pouco mais da metade do volume registrado pela Bahia, líder regional, com 42.174 operações. Pernambuco aparece em segundo, com 40.151 voos.

O levantamento utiliza dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com ano-base de 2025. Para o CLP, o resultado mostra que o Ceará mantém relevância na conectividade aérea, mas ainda tem espaço para ampliar a oferta em relação aos principais polos nacionais.

A gerente de Competitividade e Relações Institucionais do CLP, Carla Marinho, explica que a presença do hub da Latam em Fortaleza representa uma vantagem, mas não é suficiente para elevar o Estado entre os líderes do indicador. Segundo ela, é necessário ampliar frequências, criar novas rotas e fortalecer as operações em outros aeroportos cearenses.

O indicador considera o volume de voos diretos domésticos regulares e não a quantidade de aeroportos com operação comercial. Atualmente, o Ceará possui quatro terminais com voos regulares.

A recuperação da malha aérea também aparece nos dados de movimentação de passageiros. Entre 2019 e 2026, Fortaleza apresentou retração de 13,20% na projeção de passageiros, enquanto Salvador registrou crescimento de 17,59% e Recife avançou 14,61%.

Para a professora doutora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Viviane Falcão, o cenário está relacionado às mudanças ocorridas no setor aéreo nos últimos anos e às características da malha regional.

Segundo a especialista, a Bahia conta com uma rede mais distribuída, incluindo aeroportos como Porto Seguro e Ilhéus. Pernambuco, por sua vez, possui uma estrutura de conexões alimentada pelo modelo de hub da Azul, com participação de aeroportos do interior.

No Ceará, a movimentação permanece fortemente concentrada no Aeroporto Internacional de Fortaleza. A ausência de uma rede regional mais ampla faz com que passageiros do interior do Estado e de áreas de influência, como Piauí, Maranhão e norte do Rio Grande do Norte, recorram com frequência ao transporte rodoviário para chegar à Capital.

O Estado também adotou medidas para estimular o setor, entre elas incentivos fiscais sobre o combustível de aviação, além dos investimentos realizados pela concessionária Fraport no aeroporto de Fortaleza.

Na avaliação de Viviane Falcão, entretanto, os incentivos reduzem custos, mas não eliminam o risco comercial das companhias. A manutenção de uma rota depende principalmente da demanda e da rentabilidade da operação.

Outro fator apontado pela especialista é a concentração das conexões aéreas nordestinas fora da própria região. Dados analisados indicam que 62,73% das conexões de passageiros originados no Nordeste são processadas no Sudeste, enquanto 15,60% passam pelo Centro-Oeste e apenas 15,54% ocorrem dentro da própria região.

Esse cenário reduz o potencial de Fortaleza como ponto de conexão regional e limita a capacidade de retenção de passageiros no Estado.

A escassez de aeronaves, especialmente modelos de maior porte utilizados em operações internacionais, e os custos elevados da aviação também são apontados como fatores que influenciam a distribuição das frotas pelas companhias.

Apesar dos desafios na malha doméstica, o Ceará apresenta avanço na conectividade internacional. Segundo a Secretaria do Turismo do Ceará (Setur), 2025 foi o melhor ano da história do Estado em número de turistas internacionais, superando inclusive o resultado registrado em 2019, antes da pandemia.

Entre janeiro e julho de 2026, o Ceará recebeu 69,6 mil turistas internacionais em voos diretos, crescimento de 23,9% em comparação com o mesmo período de 2025. No Aeroporto Internacional de Fortaleza, foram 297 mil passageiros internacionais no período, alta de 12,5%.

Em nota, a Setur reconheceu que a conectividade aérea continua sendo um desafio, principalmente na malha doméstica. A pasta informou que mantém articulações com companhias aéreas, aeroportos e representantes do setor produtivo para ampliar frequências e conquistar novas rotas.

Para o governo estadual, o crescimento do turismo internacional demonstra a existência de demanda pelo destino Ceará e reforça a importância de ampliar a conectividade aérea para estimular o turismo, os negócios e a integração do Estado com outros mercados.

Foto: Anio Tales Carin

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