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ASSOCIAÇÕES DE SERVIDORES DA BAHIA INVESTIGADAS NO CASO MASTER POSSUEM R$ 1 BILHÃO EM CARTEIRA

Matheus Souza - 17/09/2026 15:02

As associações de servidores Asteba e Asseba, ligadas ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, tinham mais de 103 mil autorizações de desconto em contracheques de servidores baianos em 2025. Juntas, as instituições representavam uma carteira com valor estimado em R$ 1 bilhão.A informação foi divulgada nesta quinta-feira (17), pelo jornal Folha de S. Paulo.

A investigação jornalística foi realizada com base nas informações que constam no inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga fraudes do Banco Master, que teve o sigilo quebrado na última quinta-feira (10).

Ambas as entidades, que representam os servidores técnico-administrativos e os servidores da saúde afins da administração direta, foram alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero em novembro de 2025. Inicialmente, o Master informou ao Banco Central (BC) que ambas as associações estavam na origem de créditos consignados que integravam uma carteira de R$ 6,7 bilhões vendida ao Banco de Brasília (BRB).

Posteriormente, o banco de Daniel Vorcaro mudou a versão ao dizer que os créditos eram da empresa Tirreno. O inquérito da PF atribui a Augusto Lima a elaboração de carteiras fraudulentas e estimou, por meio de auditoria, que o prejuízo do BRB teria sido de pelo menos R$ 5 bilhões pelas compras desses ativos.

À reportagem, Augusto Lima negou as acusações e disse que o Master se manifestou erroneamente junto ao Banco Central (BC) e que nunca autorizou ou assinou qualquer documento ligando as entidades a créditos do Master.

Lima é conhecido por ter sido o responsável por transformar o Credcesta em um cartão de benefício consignado, com desconto das parcelas do empréstimo na folha de pagamento. No caso das associações, dados do Governo da Bahia mostraram que os descontos nos contracheques de servidores não eram empréstimos consignados, mas mensalidades e serviços associativos.

Os créditos vendidos ao BRB foram vinculados às associações em um comunicado ao Banco Central (BC) feito pelo Master em 25 de março de 2025. O BC questionou a ação.

As operações apresentadas ao Banco Central (BC) envolviam CPFs de diferentes estados, e as associações não apresentavam movimentação financeira compatível com o volume das cessões.

Em 2025, Asteba e Asseba tinham, respectivamente, 52.176 e 51.111 autorizações de desconto em contracheques de servidores baianos. O valor estimado das carteiras chegaria a R$ 1 bilhão, segundo a investigação, valor inferior aos R$ 6,7 bilhões da carteira atribuída às entidades.

Com os questionamentos, o Master passou a apontar a Tirreno como originadora dos créditos. Apesar das inconsistências, o Master revendeu as carteiras ao BRB entre janeiro e maio de 2025 por R$ 12,2 bilhões, incluindo um prêmio de R$ 5,5 bilhões.

O Ministério Público Federal (MPF) também investiga a relação entre a Asteba, a Asseba e Augusto Lima. Segundo relatório do MPF, as duas entidades foram criadas e eram controladas por Lima. Lima foi presidente da Asteba e, após deixar formalmente o cargo em 2008, teria mantido seu controle por meio de terceiros.

Entre os indícios dessa relação estão o e-mail das entidades, que é o mesmo contato de uma das empresas de Lima, a Terra Firma da Bahia.

As associações prestam serviços associativos como planos odontológicos, compras de celulares e assistência jurídica. Nenhuma delas respondeu a reportagem e a Secretaria da Administração do Estado da Bahia (Saeb) do governo Jerônimo Rodrigues (PT) informou que não se manifestaria sobre os contratos de cooperação com associações.

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