

A União Europeia (UE) quer estreitar a relação com o Canadá diante do aumento das tensões internacionais e dos desafios enfrentados pelo bloco. A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (16) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que defendeu a criação de um novo modelo de associação para o país norte-americano.
Durante o discurso anual sobre o Estado da União, no Parlamento Europeu, Ursula afirmou que os 27 países do bloco precisam ampliar suas parcerias diante de guerras, ameaças à segurança e da disputa econômica e tecnológica com Estados Unidos e China. Ela descreveu o cenário atual como um mundo “abertamente hostil”. “Precisamos urgentemente repensar nossas parcerias e construir coalizões para a resiliência e a democracia”, afirmou.
A proposta é que o Canadá se torne o primeiro “membro associado” da União Europeia. Segundo Ursula, a relação entre os dois lados deve chegar ao “maior nível possível”, com cooperação em setores como tecnologia, inteligência artificial, energia, defesa, indústria e matérias-primas. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, acompanhou o discurso em Estrasburgo e foi aplaudido pelos parlamentares.
A iniciativa faz parte da estratégia da UE para ampliar sua autonomia em áreas consideradas importantes para a segurança e a economia. Ursula afirmou que a parceria pretende criar “um espaço de prosperidade comum e segurança econômica” e ressaltou que a aproximação não é dirigida contra outros países, mas busca fortalecer o próprio bloco europeu.
Ursula também anunciou a necessidade de um novo protocolo de emergência para responder a ameaças contra países europeus. Ela citou ações atribuídas à Rússia e afirmou que “as ameaças híbridas estão se multiplicando em solo europeu”. O mecanismo prevê uma reunião imediata dos países da UE quando for acionado.
Outro ponto tratado foi a migração. A presidente da Comissão Europeia defendeu um novo plano para situações de chegada em massa de migrantes, além do reforço da agência de fronteiras Frontex e de medidas para ampliar o retorno de pessoas aos países de origem. Ela também pediu novas ações para enfrentar ondas de calor e outros eventos climáticos extremos.
No discurso, Ursula criticou a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia e defendeu a manutenção da proposta de criação de dois Estados para solucionar o conflito entre israelenses e palestinos. “É papel da Europa manter viva a chama da solução de dois Estados”, afirmou. Ela também classificou como “inaceitável” a decisão do governo de Israel de avançar com o projeto de assentamento E1.