

Choro frequente, ansiedade, irritação, isolamento e dificuldade para conversar ou controlar as próprias emoções podem ser sinais de sofrimento emocional. Reconhecer essas mudanças é importante para que familiares e pessoas próximas percebam quando alguém precisa de atenção. Durante o Setembro Amarelo, a enfermeira Ana Lídia Cunha, que atua em cuidados paliativos, geriatria de alta complexidade e emergências, explica quais sinais podem indicar uma crise emocional, como agir diante dessas situações e quando buscar ajuda profissional.
Segundo a enfermeira, além das mudanças de comportamento, algumas manifestações verbais também podem indicar que a pessoa está enfrentando um momento de sofrimento. “É importante ficar atento quando a pessoa diz frases como ‘não aguento mais’, ‘quero sumir’ ou ‘não vejo mais sentido nas coisas’”, explica Ana Lídia.
Ao perceber esses sinais, Ana Lídia orienta que a abordagem seja feita com calma e respeito, sem julgamentos. Permitir que a pessoa fale sobre o que está sentindo também pode ajudar nesse momento. “É importante mostrar que ela não está sozinha, perguntar como podemos ajudar e, quando necessário, buscar o apoio de familiares ou de um profissional”, afirma.
A enfermeira também chama atenção para a forma de abordar alguém durante uma crise emocional. Segundo ela, frases como “isso é besteira”, “isso é drama”, “você precisa ser forte” ou “tem gente com problemas piores” devem ser evitadas. “Não devemos discutir, julgar ou pressionar a pessoa. O mais importante é ouvir”, orienta.
De acordo com Ana Lídia, familiares e amigos podem permanecer próximos e ajudar na busca por acompanhamento quando a pessoa consegue conversar, está segura e não apresenta risco para si mesma ou para outras pessoas. “Já diante de risco de suicídio, tentativa de autolesão, agressividade intensa, perda de controle ou alteração grave do comportamento, a orientação é procurar atendimento profissional ou de emergência”, alerta.
Para a enfermeira, não é necessário ter uma resposta pronta para lidar com uma pessoa em sofrimento. “Não devemos ignorar a situação nem ter medo de se aproximar. Mesmo sem saber exatamente o que falar, estar presente e demonstrar que a pessoa não está sozinha pode fazer diferença”, afirma.