quarta, 16 de setembro de 2026
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AIRBNB MOVIMENTOU MAIS DE R$ 2 BILHÕES NA ECONOMIA DE SALVADOR EM 2025

Matheus Souza - 16/09/2026 19:00 - Atualizado 16/09/2026

A atividade do Airbnb movimentou mais de R$ 2,1 bilhões na economia de Salvador em 2025, um crescimento de quase 13% em relação ao ano anterior. Os números são de um estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Além do valor total movimentado, o estudo da FGV calculou ainda como esses gastos se refletem na economia local.

Em 2025, a atividade do Airbnb contribuiu com mais de R$ 1,17 bilhão para o PIB, gerou quase R$ 589 milhões em renda e sustentou quase 13 mil postos de trabalho ao longo do ano, entre ocupações diretas e indiretas. São postos gerados tanto pelo movimento de visitantes quanto pela cadeia de fornecedores acionada por essa atividade, de profissionais de limpeza e manutenção a motoristas, comerciantes e trabalhadores do setor de alimentação. A movimentação associada às estadias gerou ainda mais de R$ 176 milhões em tributos.

A FGV estima que, para cada R$ 100 gastos com acomodação no Airbnb, os visitantes gastam outros R$ 450 fora dela, em restaurantes, comércio e transporte. Em Salvador, é a própria comunidade de anfitriões que orienta boa parte desse gasto: mais de 90% dos anfitriões entrevistados indicaram restaurantes ou cafés a seus hóspedes e quase 45% apontaram lojas e comércios de rua.

“O turismo movimenta uma parte relevante da economia de Salvador, e dados do Airbnb mostram um lado dele que raramente se mede: quem recebe o visitante também influencia para onde ele vai”, afirma Fiamma Zarife, Diretora Geral do Airbnb para a América do Sul. “São moradores indicando o restaurante da esquina, a festa do bairro, a praia que não está no roteiro. É um jeito de o visitante conhecer a cidade que só quem mora nela pode oferecer.”

Boa parte do que a FGV mediu como movimentação econômica passa antes pelo orçamento de uma família de Salvador. Quase 75% dos anfitriões entrevistados na cidade não têm nessa atividade sua ocupação principal, mais de 80% anunciam um espaço que é deles ou da família e quase 60% se identificam como mulheres.

O destino dessa renda aparece no orçamento doméstico. Mais de 60% investiram em melhorias na própria casa e quase 65% usaram os valores para cobrir alimentação e outros custos que ficaram mais caros. Para mais da metade, a renda ajudou a continuar morando onde mora.

A renda obtida no Airbnb também abre espaço para planos que poderiam ficar de fora. Quase 25% dos anfitriões entrevistados usaram o dinheiro para viajar de férias e quase 20% para dar à família algo que antes não caberia no orçamento.

Quase 40% dos anfitriões entrevistados em Salvador receberam hóspedes por causa de eventos na cidade ou na região. Em datas importantes do calendário soteropolitano, como o Carnaval, a Lavagem do Bonfim e a Festa de Iemanjá, a comunidade de anfitriões ajuda a suprir a demanda de visitantes.

“Airbnb: Impactos e Benefícios Econômicos no Brasil” foi elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com a metodologia de insumo-produto, que mede como um gasto em um setor puxa outros setores da economia. Na prática, a FGV soma impactos diretos (gastos efetivos de hóspedes e de anfitriões) e impactos indiretos, que são as compras geradas na cadeia produtiva por causa desses gastos, usando matrizes específicas por estado e por cidade para refletir as particularidades locais. Para analisar rendimentos, a FGV combinou dados do Airbnb e da PNAD Contínua/IBGE, fez a conversão de moeda e manteve as séries em valores nominais em reais (sem correção por inflação).

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