segunda, 14 de setembro de 2026
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POLÍCIA PROCURA PRODUTORA DE “DARK HORSE”, MAS ENCONTRA COWORKING COM CERCA DE 200 EMPRESAS

VICTOR OLIVEIRA - 14/09/2026 15:32

A Polícia Civil de São Paulo realizou uma busca no endereço apontado como sede do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e de empresas relacionadas à produção do filme “Dark Horse”, mas não encontrou as companhias no local.

A diligência ocorreu em 1º de junho, em um endereço na Avenida Paulista, durante investigação sobre um contrato de R$ 108 milhões firmado entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo para a execução do programa WiFi Livre SP.

O mesmo endereço constava como sede da Go Up Entertainment, apontada como produtora de “Dark Horse”, e da GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural. As empresas são relacionadas à investigada Karina Ferreira da Gama.

Ao chegarem ao local, os policiais encontraram um espaço de coworking que mantinha cerca de 200 empresas cadastradas. Conforme relato de uma funcionária aos investigadores, o contrato do espaço com o Instituto Conhecer Brasil já havia sido encerrado.

Segundo a funcionária, a Go Up Entertainment e a GO7 aparentemente sequer eram clientes do estabelecimento. Durante a diligência, também não foram encontrados documentos pertencentes às empresas.

A operação tinha como objetivo localizar computadores, celulares, contratos, notas fiscais, documentos contábeis e outros materiais que pudessem ajudar a esclarecer a movimentação financeira relacionada às empresas e ao contrato público.

O relatório da diligência, no entanto, não aponta a apreensão de materiais no endereço.

As apurações buscam esclarecer se parte dos recursos destinados ao programa WiFi Livre SP teria sido utilizada de forma irregular para financiar a produção de “Dark Horse”, filme relacionado à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O contrato investigado, no valor de R$ 108 milhões, foi firmado entre o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo para ações relacionadas à conectividade pública.

A investigação passou a analisar também empresas e pessoas ligadas à produção cinematográfica, diante da suspeita de possível conexão entre recursos públicos e o financiamento do longa-metragem.

Até o momento, a localização de empresas em endereços diferentes daqueles registrados formalmente é um dos pontos examinados pelos investigadores.

A defesa de Karina Ferreira da Gama afirmou que considera positiva a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de retirar o sigilo de parte da investigação.

Em nota, o advogado Ricardo Sayeg declarou que Karina nega qualquer irregularidade e que já entregou voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentos às autoridades.

Segundo a defesa, a investigada continuará colaborando com as apurações.

Os advogados, porém, não comentaram especificamente o fato de as empresas relacionadas à produção de “Dark Horse” não terem sido encontradas no endereço indicado durante a busca policial.

A investigação segue em andamento, e a existência de suspeitas ou de inconsistências nos endereços não significa, por si só, comprovação de desvio de recursos ou de qualquer crime.

Foto: Divulgação

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