

Se você foi ao mercado nos últimos dias, talvez tenha reparado no preço do limão taiti: em alguns estabelecimentos de Salvador, o quilo da fruta já se aproximava dos R$15 na manhã desta sexta-feira (11). Em lojas de hortifruti da Boca do Rio, o limão estava sendo vendido por R$13,49. Em redes de mercados como o Hiperideal e o Redemix, o quilo estava por R$10,98.
O aumento não é apenas aqui, mas segue o cenário nacional. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o limão foi o item que mais aumentou em agosto, em todo o Brasil, entre todos os 377 produtos e serviços pesquisados mensalmente para o cálculo da inflação.
Em agosto, a variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 53,4%, mas a alta começou em junho. Até maio, o limão vinha em queda de preços. Em junho, contudo, foi registrada uma alta de 3,81% no índice, enquanto julho teve 10,59% de variação mensal. Além disso, a variação acumulada em 12 meses foi de 41,28% em agosto.
Na Bahia, os preços na Ceasa de Simões Filho também têm refletido esse crescimento. A caixa com 20 quilos da fruta custava entre R$65 e R$70 no dia 10 de julho, de acordo com o boletim informativo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE). Um mês depois, no dia 10 de agosto, o preço da caixa variava entre R$100 e R$120. Já na última terça-feira (9), a caixa estava custando de R$210 a R$220.
De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e da Pecuária da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, tanto a Bahia quanto outros estados do Nordeste estão em meio ao período de entressafra. “A entressafra é quando diminui a produção do limão. Consequentemente, a oferta continua alta, a demanda continua alta, a oferta diminui e o preço já sobe”, explica.
No entanto, o quadro atual tem reflexos da situação em estados do Sudeste – em especial, de São Paulo. Lá, as chuvas atrapalharam as lavouras de limão, levando a perdas de safra. Isso fez com que a exportação para outras unidades da federação – a Bahia entre elas – ficasse prejudicada.
“Consequentemente, quando você diminui a oferta e a procura continua no mesmo ritmo, a tendência é subir os preços. É uma lei de mercado, de oferta e procura. É isso que regula os preços. Então, resumindo, temos entressafra aqui na Bahia e problemas climáticos em outros estados que levaram ao aumento do custo do limão na prateleira do supermercado”.
Previsão
Uma análise divulgada no fim de agosto pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) citou que os preços do taiti “seguem em forte alta” e que a disponibilidade reduzida tem limitado as negociações, mesmo diante da demanda aquecida. A qualidade dos frutos ofertados permanece satisfatória, na avaliação dos pesquisadores.
O descompasso entre oferta e demanda, de acordo com o centro, foi intensificado pela entrada ainda mais limitada de novos frutos. A previsão é de que, entre setembro e outubro, tenha início alguma recuperação de oferta, com a entrada de frutos provenientes das induções florais ocorridas no início do ano.
Ainda assim, os pesquisadores ponderam que mesmo essas floradas tiveram desempenho abaixo do esperado. “O excesso de chuvas no período prejudicou tanto o início da floração quanto o pegamento dos frutos, limitando o potencial de aumento da produção no curto prazo. Dessa forma, embora a disponibilidade possa melhorar gradualmente ao longo de setembro e outubro, não se espera, neste momento, uma expansão suficientemente forte da oferta para provocar queda acentuada das cotações”, completa a nota.
Segundo o IBGE, a Bahia foi o quarto maior produtor de limão do país, em 2024, com 87 mil toneladas naquele ano. O ranking dos municípios é liderado por Sátiro Dias, com 16 mil toneladas, Sapeaçu com 9,7 mil e Inhambupe com 7,6 mil.
Crédito: Perla Ribeiro/CORREIO