

Documentos relacionados ao Banco Master mostram que a instituição financeira mantinha um contrato que previa o pagamento de até R$ 131 milhões ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O acordo, firmado em janeiro de 2024, previa 36 parcelas mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões, considerando os valores brutos e os impostos. O contrato tinha duração prevista de três anos e envolvia serviços jurídicos, consultoria estratégica e atividades relacionadas a compliance e representação perante órgãos públicos.
Apesar do valor total previsto no contrato, dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado indicam que o Banco Master declarou pagamentos de R$ 80,2 milhões ao escritório entre 2024 e 2025. O montante corresponde a R$ 40,1 milhões em cada um dos dois anos.
Os pagamentos foram interrompidos após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. Dessa forma, o valor efetivamente declarado como pago ficou abaixo do total previsto originalmente no contrato.
O escritório Barci de Moraes confirmou anteriormente que prestou serviços ao banco. Em manifestação pública, informou que o trabalho envolveu uma equipe de 15 advogados, além da contratação de outros três escritórios. A banca também afirmou ter realizado 94 reuniões de trabalho com representantes do Master, sendo 79 delas presencialmente na sede da instituição.
O escritório, porém, contestou a divulgação dos valores atribuídos aos pagamentos e afirmou que não confirma informações que considera incorretas e obtidas por meio de vazamento ilícito de dados fiscais. Alexandre de Moraes não havia se manifestado sobre os valores até as publicações citadas.
Mais recentemente, documentos tornados públicos no âmbito das investigações sobre o caso Master revelaram novos detalhes sobre o contrato. Segundo a Folha, metadados do arquivo indicaram uma alteração realizada por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório afirmou que o ministro foi consultado para verificar eventuais impedimentos legais e sustentou que não houve atuação de Moraes no STF relacionada ao Banco Master.
O caso passou a ser analisado no contexto das investigações envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e as relações mantidas pelo ex-banqueiro com autoridades e prestadores de serviços. A divulgação dos contratos e dos pagamentos ampliou a repercussão política e institucional do caso.
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