

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil já aparece com força nos números do comércio exterior, mas a carne bovina está seguindo na direção contrária. Entre janeiro e agosto, as exportações brasileiras de produtos agropecuários para os EUA caíram 26,7%, enquanto as vendas do agro para os demais mercados cresceram 9,5%.
Segundo dados divulgados pela Amcham (Câmara de Comércio Brasil-EUA), no meio desse cenário, a carne bovina ganhou espaço no mercado americano: as exportações de carne bovina fresca alcançaram US$ 1,46 bilhão, alta de 62,2% em valor e de 37,2% em volume na comparação com o mesmo período de 2025.
O contraste ajuda a dimensionar o impacto das novas barreiras comerciais. No conjunto da economia, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 24,1 bilhões de janeiro a agosto, queda de 9,7%, ou US$ 2,6 bilhões a menos que um ano antes.
Foi o menor valor para o período desde 2023. Em quantidade, a retração foi ainda maior: 19,3%. O preço médio, por outro lado, subiu 11,8%, o que ajuda a explicar por que a queda em valor foi menor que a redução física das vendas.
Exportação de carne bovina no primeiro semestre é recorde, aponta Abiec
Em agosto, a fotografia ficou ainda mais peculiar. As exportações brasileiras para os EUA cresceram 12,1% em valor, para US$ 3,19 bilhões, mas o volume caiu 17,3%. O preço médio avançou 35,7%. Ou seja, o aumento do valor exportado não significou retomada generalizada das quantidades vendidas.
É nesse ambiente que a carne bovina chama atenção. Em agosto, as vendas de carne bovina fresca aos Estados Unidos cresceram 385,1% em valor e 389,8% em quantidade, chegando a US$ 182,2 milhões. O preço médio teve leve queda de 1%.
O dado é importante porque mostra que, nesse caso, o aumento das exportações não foi resultado de preços mais altos, mas principalmente de um salto no volume embarcado.
No acumulado do ano, o comportamento também é diferente do observado em boa parte dos produtos exportados pelo Brasil aos americanos. A carne bovina fresca registrou alta de 62,2% em valor, 37,2% em quantidade e 18,2% no preço médio.
O relatório da Amcham, elaborado com dados do ComexStat, também mostra o desempenho de outro grupo de carne bovina: as carnes bovinas congeladas. Elas somaram US$ 1,294 bilhão nas exportações para os EUA entre janeiro e agosto, com crescimento de 56,3% em valor e 32,6% em quantidade. O preço médio aumentou 17,8%.
Somados os movimentos, os números mostram que a carne bovina está entre os produtos brasileiros que conseguiram preservar e até ampliar espaço nos Estados Unidos em meio à deterioração das relações comerciais.
O contraste fica mais evidente quando se olha o conjunto dos setores. De janeiro a agosto, as exportações brasileiras aos EUA recuaram em todos os grandes segmentos: 4,9% na indústria de transformação, 28,9% na indústria extrativa e 26,7% na agropecuária.
Mas, para o resto do mundo, o resultado foi positivo nos três setores. As vendas da indústria de transformação cresceram 6,6%, as da indústria extrativa avançaram 19,6% e as exportações agropecuárias aumentaram 9,5%.
(Fonte: CNN)
Foto: Divulgação/ Abiec